Fotos: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Reportagem: Camila Vieira e Marco Pitangueira / Secom PMS
Realizado nesta sexta-feira (9), no Dique do Tororó, um encontro da Banda CAPS e da Banda Novis destacou a música como ferramenta de cuidado, convivência, expressão e reinserção social. Em alusão ao Dia Mundial da Saúde Mental, a atividade reuniu usuários, familiares e trabalhadores da rede municipal de atenção psicossocial. O encontro evidenciou como a arte pode transformar a rotina de quem está em acompanhamento, fortalecer vínculos e enfrentar o preconceito.
Criada em 2014, a Banda CAPS nasceu no CAPS AD Pernambués e tem como base o samba-reggae e os ritmos ancestrais baianos. O grupo surgiu da oficina Aventura Musical, um espaço de expressão por meio da música e da arte. Com uma proposta itinerante e integrativa, acolhe usuários, familiares e trabalhadores da rede municipal interessados em cantar, tocar ou dançar.
Enfermeira do CAPS AD Pernambués há dez anos, Ana Carolina Ventura encontrou o projeto em funcionamento quando chegou à unidade. Para ela, a banda permite que os participantes expressem sentimentos, reconheçam suas capacidades e ocupem outros espaços da cidade. “É um espaço onde a gente pode extravasar e mostrar a potência, o poder da arte e da música na transformação da saúde mental das pessoas”, afirma a profissional.
Segundo a enfermeira, as apresentações contribuem para mudar a maneira como a sociedade enxerga quem faz acompanhamento em saúde mental ou está em tratamento pelo uso abusivo de álcool e outras drogas.
Novas amizades – Para Kátia Nanci, 57 anos, atendida pelo CAPS há aproximadamente dez anos, participar da banda representa uma renovação. A convivência com os integrantes e as apresentações ajudam a construir amizades, ampliar conhecimentos e fortalecer o sentimento de pertencimento. “Tira a gente do fundo do poço. Faz com que a gente trabalhe em nós mesmos e se sinta ser humano, sem discriminação”, relata.
Kátia conta que as saídas com o grupo mudaram sua rotina. “Conhecemos outros espaços e outras pessoas”, afirma.
Os ensaios do grupo acontecem semanalmente, às sextas-feiras, durante a oficina Aventura Musical. As atividades incluem apresentações em escolas, espaços de saúde e congressos nacionais e internacionais, além da participação na Parada do Orgulho Louco, em alusão à luta antimanicomial, celebrada em maio.
Os participantes também contam com atendimentos individuais, profissionais de referência, assistência médica e uso de medicamentos, conforme as necessidades de cada pessoa.
Rede municipal – De acordo com Helena Cristina Lima, gerente da Atenção Especializada, Salvador tem atualmente 20 Centros de Atenção Psicossocial em funcionamento. A rede foi ampliada recentemente, com a entrega do CAPS III Infantojuvenil Mané Dendê, no Subúrbio, que tem capacidade para realizar mais de 200 acolhimentos por mês.
A gerente explica que a estrutura reúne CAPS II, voltados ao acompanhamento de adultos com transtornos mentais; CAPS III, com atendimento 24 horas; CAPS IA e Infantojuvenis, destinados a crianças e adolescentes; e CAPS AD e AD III, especializados no cuidado de pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
As unidades contam com equipes multiprofissionais da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), incluindo médicos, psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, profissionais de enfermagem, oficineiros e trabalhadores de apoio.
As atividades artísticas integram as possibilidades de cuidado oferecidas aos usuários. Helena assinala que a presença em eventos fora da unidade amplia a convivência dos usuários e dá visibilidade ao cuidado em saúde mental.
Para a gerente, encontros como o realizado no Dique aproximam a população do tema e ajudam a combater estigmas. “A gente precisa desmistificar a visão que se tem de um usuário do CAPS, de uma pessoa que faz uso de substâncias”, conclui.
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