Texto: Ana Virgínia Vilalva e Priscila Machado / Secom PMS
Foto: Bruno Concha / Secom PMS
Nas várias obras de Jorge Amado sempre ficou muito evidente o amor que o poeta tinha por Salvador, pela Bahia e pelo povo baiano. No mês em que completaria 114 anos, a cidade retribui todo esse carinho e legado com a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), ocupando diversos espaços e equipamentos culturais, com acesso gratuito, até o próximo domingo (9), e também com uma programação especial na Casa do Rio Vermelho, a residência de Número 33, na Rua Alagoinhas, onde Jorge compartilhou bons momentos com Zélia Gattai, familiares e amigos.
Durante todo o mês, está disponível na Casa do Rio Vermelho a exposição temporária As Faces de Jorge Amado, um convite à revisitação da trajetória de vida do escritor e à vasta produção literária dele, por meio de fotografias, documentos, objetos, trechos de obras e registros históricos. A mostra evidencia o legado do autor, destacando sua contribuição para a valorização da cultura popular, da identidade baiana e da diversidade do povo brasileiro, reafirmando sua importância para a literatura e para a memória cultural do país.
Também em clima de celebração, o equipamento cultural, vinculado à Prefeitura de Salvador, por meio da Secult, recebe, na próxima terça-feira (11), alguns dos personagens mais icônicos criados pelo escritor, circulando pelos espaços da residência, no turno da tarde, proporcionando encontros, interações e uma experiência imersiva em alusão ao universo literário.
Além disso, todas as terças, quintas e sextas, às 15h30, ocorrem as visitas mediadas, bem como aos sábados e domingos em dois horários: às 11h e às 15h30. Também aos finais de semana, das 9h às 17h, são realizados os Amados Passatempos, jogos dinâmicos que promovem o conhecimento sobre a vida do autor. A programação completa pode ser conferida no perfil do equipamento no Instagram: @casadoriovermelho.
Mediadora da casa, Adriana Cerqueira conta que o local foi e continua sendo um grande celeiro cultural. “Eles receberam aqui pessoas de várias partes do mundo, de diversas culturas. Os maiores pensadores do século XX passaram pela Casa do Rio Vermelho e conheceram a família Amado. Além disso, o casal, durante as suas viagens, trazia muitos objetos de diversos lugares. Eles conheceram mais de cem países, então as pessoas que chegavam aqui conheciam esse acervo, se encantavam e mergulhavam em diversas culturas”, diz.
Para ela, a abertura da casa para a visitação, em 2014, manteve uma característica que a família tinha de “portas abertas” para todos que quisessem entrar e conhecer. “Hoje, recebemos um público diverso, muito interessado na cultura baiana e brasileira. Um dos espaços de que os visitantes mais gostam é o jardim. Eles se surpreendem muito, pois ao ver a fachada da casa não imaginam que ela tenha toda essa extensão e essa grande área verde onde o casal costumava ficar e onde foram deixadas as cinzas deles. Outro espaço queridinho é o quarto de hóspedes, que apresenta os amigos que passaram por aqui e passa uma noção do quanto eles foram agregadores e importantes para a difusão da cultura brasileira pelo mundo”, conta.
A psicóloga Giuliana Galeno, 32, aproveitou a gratuidade de quarta para visitar mais uma vez o espaço. “As primeiras palavras que vêm a minha cabeça quando eu penso na Casa de Jorge Amado e Zélia Gattai é refúgio e amor. É o que eu sinto quando subo as escadas e me deparo com esse bosque, quando adentro e conheço um pouco mais da intimidade dele e da Zélia. A gente se sente até pertencente um pouco a essa família. Toda vez que vem uma visita para a minha casa, eu sempre trago para aqui. Eu sou maranhense, mas moro aqui próximo e acho que é uma parada essencial para quem visita Salvador”, opina.
Na opinião da visitante, é importante preservar todo esse acervo para que as próximas gerações também tenham oportunidade de conhecer.
Estrutura – A Casa do Rio Vermelho conta com 22 espaços, entre eles “A Bahia de Jorge Amado”, “A amizade é o sal da vida”, “A infância/Memórias de Dona Lalu”, “Os Viajantes”, “Varanda Aberta”, “Amores e Amantes”, “Zélia Gattai, Companheira Graças a Deus”, “Trocando cartas”, “Sala de Leitura”, “Muita Vida, Tantas Obras”, “Os Amados Sabores de Jorge”, “A Cozinha de Dona Flor”, “Lago dos Sapos”, “Roda de Conversa Sobre Jorge Amado”, e “Jorge e o Candomblé”.
O local conta com mais de 30 horas de vídeos e projeções. Ou seja, é impossível conhecer toda a história do imóvel e do casal de escritores em apenas uma visita. Pelo local, já passaram grandes personalidades nacionais e internacionais para visitar os escritores, que viveram e trabalharam no local por aproximadamente 40 anos. Na casa, o casal já recebeu a visita de Pablo Neruda, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Monteiro Lobato, Glauber Rocha, Roman Polanski, Tom Jobim e Dorival Caymmi, entre outros.
Funcionamento – O funcionamento é de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até 17h). Os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia). Às quartas-feiras, a entrada é gratuita e residentes de Salvador que apresentarem o comprovante de residência pagam meia-entrada todos os dias.
Acesse a galeria de fotos: https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/programacao-especial-da-flipelo-no-mes-do-aniversario-de-jorge-amado/ .