Fotos: Betto Jr. / Secom PMS
Reportagem: Camila Vieira / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), fechou o primeiro semestre deste ano com mais de 26 mil atendimentos a pessoas surdas através da Central de Acessibilidade Comunicacional e mais de 2,2 mil acolhimentos no Espaço CIPTEA, voltado para as famílias de crianças com autismo.
Os dados, que fazem parte do balanço oficial da Diretoria de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência (DPCD), revelam um avanço histórico nas ações de inclusão, com impacto também na qualificação profissional e fomento à autonomia financeira de famílias soteropolitanas.
Além do expressivo volume de atendimentos diretos, o poder público municipal investiu na capacitação de servidores para a inclusão. Nos primeiros seis meses do ano, foram formadas 760 pessoas em audiodescrição e mais de 650 em Língua Brasileira de Sinais (Libras), expandindo a rede de suporte inclusivo nos setores público e privado da cidade.
O curso terá ainda mais duas turmas este ano, com expectativa de abertura nos meses de julho e setembro. A oficina contempla oito encontros com visitas técnicas a equipamentos culturais da Prefeitura, a exemplo da Casa do Carnaval, Casa das Histórias e Casa do Rio Vermelho.
“Trabalhamos intensamente para que a população com deficiência e seus familiares tenham o melhor atendimento e suporte possíveis. Foram tantas ações e avanços simultâneos neste início de ano, que os números traduzem o esforço contínuo de toda a gestão em transformar nossa cidade em uma capital cada vez mais inclusiva e acessível”, afirma a titular da DPCD, Daiane Pina.
Capacitação e empoderamento – O balanço do semestre também mapeou o sucesso dos projetos voltados ao fortalecimento econômico familiar, como o programa Empreender é com Elas, desenvolvido há três anos pela Prefeitura.
Nos últimos seis meses, a iniciativa beneficiou 486 mães de pessoas com deficiência, com inserção direta dessas mulheres em feiras de negócios locais. Neste mesmo período, mais de 680 mães atípicas passaram por cursos de formação promovidos pelo poder público municipal.
Há um ano, a empreendedora Tatiana Miranda, 40 anos, mãe atípica de duas meninas com autismo, Zaylla Beatriz e Eloáh Vitória, conheceu a iniciativa. Produtora e vendedora de aromas, canecas personalizadas, cestas, velas e chaveiros, ela afirma que participa de todas as feiras e eventos.
“O ‘Empreender’ me dá oportunidades, conhecimento, incentivo e confiança para acreditar que posso empreender sem deixar de cuidar das minhas filhas. Ser mãe atípica é desafiador, mas me sinto acolhida e valorizada. Através da Prefeitura, encontrei apoio para crescer como mulher, mãe e empreendedora, mostrando que é possível transformar desafios em oportunidades”, diz Tatiana.
Filme – O encerramento do semestre foi marcado pela estreia oficial do documentário Mães Atípicas. Produzido pela gestão municipal, o filme traz como protagonistas algumas das mães atípicas assistidas pelo programa. A obra conta a rotina, os desafios, a dupla jornada e o poder de transformação dessas mulheres, que conciliam os cuidados integrais de seus filhos com a gestão de seus próprios negócios.
Integrante da rede de mulheres do Empreender é com Elas desde o início do programa, Márcia de Jesus, de 51 anos, conta que a costura se tornou um caminho para a autonomia financeira, conciliando a geração de renda com os cuidados com o filho, Ítalo de Jesus, um jovem de 24 anos com síndrome de Down.
“Enquanto ele fazia terapia, eu confeccionava e vendia minhas peças. Foi um sonho realizado, porque me deu espaço, visibilidade e compreensão”, relata Márcia, uma das protagonistas do documentário.
Outro ponto alto das ações da DPCD no primeiro semestre ocorreu durante o Carnaval. A diretoria promoveu uma grande operação de acessibilidade nos circuitos da festa, assegurando camarotes e espaços reservados acessíveis, equipes de tradutores e intérpretes de Libras nos palcos e transmissões oficiais, além de campanhas de sensibilização contra o preconceito e vistorias de rotas acessíveis.
Para o segundo semestre, a Sempre prevê ampliar as parcerias institucionais com outras secretarias, com o objetivo de transversalizar a acessibilidade nos serviços públicos, além de programar novas campanhas educativas e estender o atendimento descentralizado, através de programas como o Viver Salvador nos Bairro