Texto: Priscila Machado / Secom PMS
Foto: Alfredo Filho / Secom PMS
Em celebração ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural, a Prefeitura de Salvador, em parceria com a Jequitibá Assessoria, promove uma formação sobre Samba Junino para professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino na próxima terça-feira (18). O encontro será realizado a partir das 8h30, no Auditório 1 da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Federação.
A formação foi estruturada para incentivar debates sobre educação patrimonial e relações étnico-raciais, utilizando o samba junino, manifestação genuinamente soteropolitana, como ponto de partida para discutir memória, identidade e território. A estimativa é de que 100 professores participem do evento, além de coordenadores pedagógicos e demais representantes da Secretaria Municipal da Educação (Smed), da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Faculdade de Arquitetura da UFBA.
Para a gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Roberta Ventura, a formação é um momento importante, pois aproxima o Samba Junino do cotidiano das escolas e das práticas pedagógicas dos professores e coordenadores da rede municipal de Salvador.
“Quando trabalhamos com o Samba Junino, estamos falando também de memória, identidade, território, ancestralidade e das relações étnico-raciais que atravessam a história da nossa cidade. O Juntaê nasce justamente com essa perspectiva: utilizar o jogo e o Samba Junino como ferramentas de aprendizagem, valorizando os saberes e as histórias que existem nos territórios e que muitas vezes estão presentes na vida dos próprios estudantes”, afirma.
Ainda segundo ela, formar os educadores para reconhecer e trabalhar esse patrimônio em sala de aula é uma forma de fortalecer a educação patrimonial e, ao mesmo tempo, contribuir para uma educação mais antirracista, conectada à realidade e à diversidade cultural de Salvador. “Queremos que cada professor e cada coordenador pedagógico se perceba também como agente de preservação e de transmissão dessas memórias, levando para a escola outras possibilidades de contar e conhecer a história da cidade”, completa.
Programação – A abertura contará com uma apresentação de samba junino do grupo mirim Meu Sambinha, formado por alunos do projeto Meu Tambor, mantido de forma continuada pelo grupo de samba junino Meu Samba, na localidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas.
Na sequência, o professor Bira conduz uma conversa sobre práticas antirracistas associadas ao patrimônio cultural. Geógrafo, mestre em Educação de Jovens e Adultos pela UNEB e professor efetivo do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Bira também atua na formação de professores, com ênfase em relações étnico-raciais, diversidade, cultura e currículo.
Em seguida, a historiadora e pedagoga Magnair Barbosa, idealizadora do Juntaê, apresenta o samba junino sob a ótica do patrimônio imaterial e aborda as possibilidades didático-pedagógicas do material. Mestra em Cultura e Sociedade pela UFBA e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo, também pela UFBA, Magnair é pesquisadora nas áreas de História da Bahia, patrimônio cultural e festividades.
O encontro será encerrado com um espaço aberto para diálogo e perguntas.“A proposta é que o professor perceba que o Juntaê pode ser muito mais do que um jogo. Ele é uma porta de entrada para conversar sobre a cidade, sobre o território, sobre as pessoas que constroem essa cultura e sobre a memória que existe por trás de cada elemento representado. A gente quer que esse conhecimento saia do jogo e ganhe vida na sala de aula, a partir das experiências e das perguntas dos próprios estudantes”, conta Magnair Barbosa.
O projeto Juntaê de formação sobre o Samba Junino é realizado pela Jequitibá Assessoria, em parceria com a Smed e a Faculdade de Arquitetura da UFBA, por meio do Edital Samba Junino – Ano VIII, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos (FGM), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, da Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura.
Etapas – Idealizado por Magnair Barbosa, o Juntaê é um recurso lúdico-paradidático que retrata o samba junino por meio da ilustração de um festival na Praça dos Artistas, no Engenho Velho de Brotas. O quebra-cabeça, composto por 48 peças, destaca elementos marcantes do território, como a tradicional casa da família Bafafé, na Rua Manoel Faustino.
A representação do território foi construída com a contribuição das Mestras Jacira Bafafé e Lita Bafafé, referências do samba junino e consultoras do projeto, que colaboraram para a construção da imagem retratada no quebra-cabeça.
Além do jogo físico, o Juntaê conta com material digital acessível, com recursos em Libras e audiodescrição, vídeo animado e a música “Presença Junina”, do grupo Samba Leva Eu, ampliando as possibilidades de interação e proporcionando uma experiência visual e auditiva sobre o universo retratado.
Na fase inicial do projeto, 500 kits foram distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e comunitárias, espaços de leitura e grupos de samba junino de Salvador. Nesta nova etapa, a atuação direta com os educadores amplia as possibilidades de utilização do material, aproximando o jogo das práticas pedagógicas e estimulando abordagens sobre identidade, memória, território e patrimônio imaterial.