ENTRETENIMENTO

Cortejo Junino com homenagem a Bule Bule encerra temporada no Centro Histórico neste sábado (20) e domingo (21) – Prefeitura Municipal de Salvador

As ruas do Centro Histórico de Salvador voltam a se transformar em palco para a cultura popular nordestina neste sábado (20) e domingo (21), quando acontecem as últimas apresentações do Cortejo Junino do Arraiá da Prefs 2026, às 19h e 18h, respectivamente. Com o tema “Um Cordel de Amor no Arraiá da Prefs”, o espetáculo homenageia o mestre Bule Bule e reúne mais de 150 artistas em sete alas temáticas, ocupando a Rua Chile e a Praça Municipal com música, dança, teatro e muita tradição junina.

Sob o céu enfeitado por bandeirolas e ao som da sanfona que ecoa pelas ladeiras do Centro Histórico, o cortejo conduz moradores e visitantes por uma viagem poética inspirada no universo do cordel. Entre noivos de quadrilha, personagens populares e figuras que remetem à tradição nordestina, o espetáculo exalta a riqueza cultural do Nordeste.

Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, o cortejo fortalece a identidade dos festejos juninos ao reunir diferentes expressões artísticas em uma única experiência cultural. “Trazemos sempre temas que dialogam com a tradição junina. Neste ano, trabalhamos com o cordel, que tem uma relação muito forte com o São João. É um espetáculo que reúne música, dança e uma homenagem à literatura popular, criando uma linguagem em movimento que conversa diretamente com a nossa cultura”, afirma.

Ainda segundo Guerreiro, o espetáculo ajuda a criar a atmosfera característica dos festejos. “O espetáculo tem uma função muito interessante, que é trazer o espírito junino para a festa. Além de ocupar as ruas do Centro Histórico, o cortejo percorre todo o circuito levando alegria e tradição. É como a cereja do bolo dos festejos”, diz. 

A dramaturgia do espetáculo foi construída a partir de uma história de amor ambientada no universo do cordel. O enredo acompanha os personagens João e Rosinha e foi desenvolvido pelo dramaturgo Cláudio Simões junto com o diretor artístico George Vladimir, idealizador da obra. As apresentações integram a programação gratuita do Arraiá da Prefs 2026, que movimenta o Centro Histórico com atrações culturais, gastronômicas e de lazer ao longo do mês de junho.

“O desafio era fazer tudo em cordel, já que o tema é ‘Um Cordel de Amor no Arraiá da Prefs’. Optei por escrever em sextilhas, que são estrofes de seis versos muito presentes nessa tradição literária. Foi um processo muito prazeroso, costurando a história com as canções para criar uma narrativa fluida e envolvente”, explica Simões, responsável pelo texto. 

A homenagem a Bule Bule serviu de inspiração para toda a construção dramatúrgica. “Desde o início, a ideia era que o cordel estivesse presente em toda a história. Fiz questão de manter essa linguagem do começo ao fim, conectando os textos às músicas”, acrescenta Simões.

O dramaturgo também destaca a receptividade do público durante a temporada. “As pessoas acompanham a história, seguem o cortejo e se envolvem com os personagens. É muito bonito ver essa interação. O cortejo já se consolidou como um dos momentos mais especiais do Arraiá da Prefs, levando arte e tradição para as ruas do Centro Histórico”, afirma.

História de amor – A atriz Malena Arlego, que interpreta Rosinha, conta que a personagem tem sido uma das experiências mais marcantes de sua trajetória artística. “Rosinha é uma menina-mulher que carrega a vivência do sertão, mas também uma alma sonhadora e um coração apaixonado. Ela tem vontade de viver, correr atrás dos seus sonhos e escrever a própria história. Acho que todo mundo tem um pouquinho de Rosinha dentro de si. É uma personagem muito rica, cheia de emoção, desejo, saudade e esperança”, relata.

 Segundo a atriz, a combinação entre a estética do cordel e o universo junino torna o espetáculo ainda mais especial. “Ver essa história de amor ganhando vida em meio ao forró, às tradições do São João e à poesia do cordel é algo muito bonito. Tem sido uma experiência incrível dividir essa vivência com profissionais tão talentosos, em um ambiente leve e acolhedor. Dar vida a Rosinha é, sem dúvida, um presente”, completa Malena.

Quem também dá vida à narrativa é o ator Cícero Lopes, intérprete de João, protagonista da história de amor que conduz o cortejo ao lado de Rosinha. Segundo ele, a trama vai além do romance e dialoga com aspectos marcantes da identidade nordestina. “João representa muitos homens e mulheres do sertão que precisaram deixar sua terra em busca de oportunidades. O que mais me toca no personagem é justamente esse amor pelo lugar de onde ele veio e o desejo de construir uma vida melhor sem perder suas raízes. Além da paixão por Rosinha, ele carrega o sonho de prosperar e encontrar caminhos para transformar sua realidade”, afirma.

Para Lopes, a história de João e Rosinha ajuda a traduzir sentimentos presentes em diversas canções que fazem parte do imaginário junino e da cultura nordestina. “São personagens que falam de afeto, pertencimento e esperança. Através deles, contamos um pouco da história de muitos nordestinos”, diz o ator.

Expressões múltiplas – A construção cênica do espetáculo também ganha força a partir da integração entre diferentes linguagens artísticas. De acordo com o assistente de direção Artur Carvalho, o cortejo foi concebido para unir teatro, dança, música e artes visuais em uma experiência imersiva para o público. 

“O texto de Cláudio Simões utiliza a linguagem do cordel como fio condutor da narrativa, enquanto as canções ajudam a contar e impulsionar a história de amor entre João e Rosinha. Tudo foi pensado para criar uma experiência multilinguagem na qual teatro, dança e música dialogam o tempo inteiro”, explica Carvalho.

Ainda segundo o assistente de direção, a estética do espetáculo busca valorizar elementos da cultura popular nordestina. “Temos alas inspiradas na xilogravura, com figurinos, maquiagens e movimentos que remetem ao universo visual do cordel. Também trabalhamos imagens do sertão florido e da seca, mostrando a força, a diversidade e a potência cultural do Nordeste. O cortejo apresenta diferentes olhares sobre uma mesma história, permitindo que o público acompanhe essa narrativa por diversos caminhos e perspectivas”, completa.