ENTRETENIMENTO

Salvador recebe formação de multiplicadores do projeto A Cor da Cultura para fortalecer educação antirracista – Prefeitura Municipal de Salvador

Texto: Mateus Soares e Marco Pitangueira / Secom PMS
Fotos: Bruno Concha / Secom PMS

Nesta segunda-feira (1º), a Prefeitura de Salvador deu início à primeira etapa da formação de multiplicadores para a educação antirracista nas escolas municipais da capital baiana. A formação, que acontece até esta terça-feira (2), no Centro de Formação Emília Ferreiro, no bairro Costa Azul, das 8h às 17h, é ministrada pelo projeto A Cor da Cultura, iniciativa educativa alinhada à Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas do país.

O evento é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Salvador, o Ministério da Educação (MEC) e a Fundação Roberto Marinho, e é dividido em duas etapas. A primeira ocorre nos dias 1º e 2 de junho, com a formação de 80 multiplicadores, sendo 40 em cada dia. A segunda etapa será realizada nos dias 15 e 16 de junho, com a capacitação de outros 80 multiplicadores.

A supervisora da Coordenadoria das Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal da Educação (Smed), Nadjane Crisóstomo, destacou o objetivo do encontro realizado nesta segunda-feira. “O projeto vem como uma estratégia para nos ajudar a trabalhar toda a educação antirracista dentro das escolas. Desde 2024, com o Decreto 470, que institui a Política Nacional de Equidade Étnico-Racial e Quilombola, Salvador tem implementado ações dessa natureza de forma cada vez mais intensa”, afirmou.

Coordenadora do projeto A Cor da Cultura, Priscila Pereira ressaltou a importância de abordar o tema ao longo de todo o ano letivo. “Essa temática precisa ser trabalhada durante o ano letivo, não apenas para o enfrentamento ao racismo e para a valorização da diversidade, mas também para que possamos reconhecer nossas origens e os povos originários brasileiros. A ideia do projeto é justamente essa: que essa agenda faça parte do cotidiano escolar durante todo o ano, e não apenas na Semana da Consciência Negra, em novembro”, disse.

Entre as formadoras do projeto está a professora Eliete Freitas da Rocha, da Escola Quilombola Egídio de Brito Gondim, em Ibiassucê (BA). Ela destacou que iniciativas como essa podem contribuir para o combate ao racismo e para a construção de uma educação mais inclusiva.

“A Cor da Cultura veio para somar e fortalecer a luta em prol da educação étnico-racial e quilombola, algo já garantido pelas Leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008. No entanto, ainda sentimos a necessidade de buscar alternativas e novas formas de trabalho para que essas políticas sejam efetivamente implementadas. Com esta formação, A Cor da Cultura ganha ainda mais força, colaborando com os professores para que eles retornem às salas de aula com novas estratégias para desenvolver essas práticas educacionais”, afirmou.

Outro formador presente nesta primeira etapa foi Roberto Souza, especialista em educação antirracista. Ele apontou alguns dos principais desafios para consolidar a educação antirracista como prática pedagógica no cotidiano escolar.

“Existem muitos desafios. O primeiro é a dificuldade que algumas pessoas têm em falar sobre o tema, por não se sentirem suficientemente capacitadas. Outra dificuldade é a falta de naturalidade com que a temática é tratada. A educação étnico-racial, em muitos casos, acaba sendo abordada apenas em períodos específicos, quando deveria estar presente de forma contínua. Não é preciso falar sobre o tema apenas em novembro; ele deve ser trabalhado durante todo o ano e em todas as áreas do conhecimento”, destacou Roberto.