Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Reportagem: Mateus Soares / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), tem reforçado os cuidados com o Parque Marinho da Barra, especialmente durante o verão e o Carnaval, período no qual aumenta a circulação de embarcações na região.
Primeira unidade de conservação marinha municipal contígua ao continente no Brasil, o Parque Marinho da Barra foi criado pelo decreto municipal nº 30.953/2019, entre o Farol da Barra e o Forte de Santa Maria. A Secis alerta que, durante o Carnaval, a aproximação de lanchas e outras embarcações para acompanhar os trios elétricos gera riscos ao ecossistema marinho e a sítios arqueológicos submersos existentes na área.
Segundo o titular da pasta, Ivan Euler, o Município revisou a legislação para deixar claras as restrições dentro do parque. “Em 2025, fizemos a revisão do decreto para deixar explícita a proibição do fundeio de embarcações. As embarcações podem transitar pela área, mas não podem ancorar, justamente para preservar todo o ecossistema marinho, que inclui corais e uma área de arqueologia subaquática com três navios históricos. Essa definição foi discutida inclusive com a Capitania dos Portos, que considerou adequado não proibir a passagem, mas vedar o uso de âncora”, afirma.
O secretário destaca que as ações de fiscalização são intensificadas nos períodos de maior movimento. “No verão e no Carnaval, intensificamos as ações para evitar que lanchas parem na área. O parque funciona como um berçário natural, onde os peixes se reproduzem e fortalecem o ecossistema, beneficiando outras regiões da cidade onde a pesca é permitida”, diz.
Além da fiscalização, a Prefeitura investiu em comunicação visual para ampliar o conhecimento da população e dos navegantes sobre as regras do parque. Uma faixa foi instalada na mureta da praia, e as boias de demarcação passaram a informar sobre as proibições de fundeio, pesca e descarte de lixo. “Toda a delimitação foi definida com participação da academia, da sociedade e da comunidade local. Durante o Carnaval, teremos apoio da Salvamar e da Capitania dos Portos para intensificar a fiscalização diretamente no mar”, conclui o secretário.
Doutor em Geologia Marinha, o professor José Rodrigues, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, aponta a relevância da área além do contexto local. “O Parque Marinho da Barra é para toda a sociedade, não apenas importante para Salvador, mas para a Bahia, o Brasil e até o mundo. Ele está localizado em um dos pontos turísticos mais emblemáticos do estado. Para a criação de uma área como essa, são exigidos estudos que comprovam a relevância ambiental, e ali nós encontramos uma riqueza biológica extraordinária, com diversos tipos de corais, moluscos e peixes, bem como uma flora muito ampla e diversa”, explica.
“Além da biodiversidade, esta pequena área concentra também um patrimônio cultural subaquático relevante, com três naufrágios históricos, que são sítios arqueológicos nacionais tombados. É algo de repercussão internacional, difícil de ser encontrado em outros lugares do mundo”, completa o professor.