Polícia encontra carro que teria sido usado em morte de aluno da Ufba

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Investigadores da 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris) encontraram nesta sexta-feira, 10, o carro que pode ter sido usado pelos assassinos do estudante da Ufba Felipe dos Santos Silva, de 26 anos.

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Felipe Doss, como era conhecido, foi morto na noite de quinta, 9, no Parque São Brás, na Federação, em Salvador, após reagir a um assalto. Ele morava em uma república estudantil que ocupa o último prédio da rua e havia saído para comprar pastel quando foi abordado.

O veículo – um Siena prata – achado abandonado na 1ª Travessa Barros Reis, sentido Retiro, é semelhante ao relatado por testemunhas no dia do crime. Segundo a polícia, o carro foi roubado no dia 1º de novembro, no Imbuí. O veículo passará por perícia no Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Segundo o delegado Antônio Fernando do Carmo, titular da 7ª DT (Rio Vermelho), embora a morte de Felipe esteja sendo apurada, a princípio, como latrocínio (roubo com resultado morte), nenhuma linha de investigação será descartada. Após atirarem, os criminosos fugiram sem levar nada.

Ainda conforme o delegado, há informação de que, horas antes da ação contra o universitário, os criminosos praticaram  roubos em Brotas. A polícia tenta identificar quantos homens participaram do crime.

Cerca de 200 pessoas estiveram no cemitério para se despedir do jovem Felipe (Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE)

Despedida

Em um clima de muita revolta e comoção, o corpo de Felipe foi sepultado na tarde desta sexta no Cemitério Campo Santo, na Federação. Cerca de 200 pessoas estiveram na cerimônia para prestar a última homenagem a ele, que era tido como um jovem esforçado e muito inteligente.

“Era extremante alegre, colocava a turma para cima. Tinha muita visão de mundo”, disse o amigo Carlos Pitanga, 30. O também amigo Dener Bispo, 35, lamentou a morte prematura do rapaz. “Ele veio de  família humilde, é filho de um vendedor ambulante e de uma cozinheira. Via  a educação como uma porta para o progresso”, desabafou.

Dener é vizinho da família de Felipe, em Itinga. Felipe se mudou para Salvador há quase quatro anos para  ficar mais próximo da faculdade. Ele, Dener e Carlos eram colegas de turma. Felipe cursava o último semestre de geografia e  se  formaria em fevereiro de 2018. Ele era o filho mais velho do casal e tinha um irmão de 11 anos.

Militância na memória

O crime ocorreu por volta das 22h25 após o estudante sair do prédio onde morava para comprar um lanche. Ele foi abordado por criminosos em um carro, que tentaram roubar o celular dele.

Após a negativa do jovem, que tentou se afastar do veículo, um dos assaltantes o puxou pelo cabelo e disparou um tiro à queima-roupa na cabeça do universitário. Ele foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), na avenida Vasco da Gama, mas não resistiu aos ferimentos.

Após saber da morte de Felipe o reitor da Ufba, João Carlos Sales, postou uma mensagem com a foto da vítima em uma rede social expressando tristeza: “Estamos sem palavras, por estarmos agora sem seu riso”.

O coletivo Quilombo lembrou da militância do jovem, que já foi coordenador LGBT do coletivo: “Felipe Doss teve sua vida ceifada pela violência. Doss foi um valoroso companheiro que muito engrandeceu por onde passou”.

Felipe era estudante de Geografia e integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufba, além de defensor das causas da população LGBT.

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