PMDB baiano reage e diz que não aceita ingerências de Jucá

pedro tavares romero juca

O presidente do PMDB na Bahia, deputado estadual Pedro Tavares, desembarca nesta terça-feira, 26, em Brasília para um encontro com o presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (RR). Oficialmente a pauta é para tratar da convenção nacional da sigla no próximo dia 4 de outubro. Mas Tavares vai aproveitar a conversa para dizer a Jucá que o PMDB baiano não vai aceitar ingerências de Brasília – seja no comando do diretório estadual ou na indicação de eventuais nomes para composição de chapa majoritária em 2018.

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A posição do partido foi fechada depois que ganhou corpo noticia de que o ministro da Secretaria de Governo, o tucano Antonio Imbassahy, estaria em tratativas com o Diretório Nacional para ingressar no PMDB. Sem espaço no PSDB, onde enfrenta desgaste pela sua fidelidade canina a Michel Temer, Imbassahy busca novo partido com planos de disputar o Senado na chapa ao governo encabeçada pelo prefeito ACM Neto (DEM).

A manobra, segundo confidenciou um parlamentar com trânsito no Palácio do Planalto, teria o aval do presidente Temer que pretende alavancar o PMDB na Bahia, aproveitando o vazio político deixado pelos irmãos Vieira Lima. O primeiro está preso na Papuda em Brasília e o segundo deve ser investigado para explicar a origem dos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador com as digitais de Geddel.

Ao que parece, faltou combinar antes com os peemedebistas baianos. “O PMDB tem liderança na Bahia, tem nomes para ocupar qualquer posição (em chapa) e vai administrar o processo (soerguimento da sigla) com autonomia”, afirmou Tavares ao A TARDE, assinalando que o diretório estadual está de “portas abertas” para lideranças de outros partidos, “desde que não haja condicionantes”.

Entre os nomes citados por Tavares para o Senado – na vaga que antes estava reservada ao ex-ministro Geddel – o presidente estadual do PMDB citou os deputados Leur Lomanto Jr., Hildécio Meireles e Luciano Simões, e lideranças como o vice-prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins, e a vice-prefeita de Barreiras, Karlucia Macedo.

Pernambuco

Ao reagir às investidas da nacional, o Diretório Estadual pretende frear qualquer tentativa de intervenção por parte do senador Romero Jucá na Bahia, como ocorreu em outros estados. Em Pernambuco, Jucá conseguiu levar para o partido o senador Fernando Coelho, que era do PSB, para enfraquecer a liderança do grupo político do deputado federal Jarbas Vasconcelos – um dos fundadores do MDB nacional que está ameaçado de ser expulso da sigla pelas posições contrárias a Temer.

No Paraná, o senador Roberto Requião, que faz parte da ala oposicionista do PMDB, também está ameaçado de expulsão. Segundo a fonte que falou à reportagem, o presidente nacional do PMDB trabalha para fortalecer o partido nestes estados e em outros considerados estratégicos. A Bahia entraria neste pacote.

Lideranças do PMDB sondados pela reportagem também reagiram a “imposições” de cima para baixo. “Seja Imbassahy ou outro político, não pode vir com o carimbo de quem vai representar a sigla na chapa majoritária ou tomar o (comando do) partido”, frisou o deputado estadual Hildécio Meireles.

O vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (PMDB), que assume a prefeitura se ACM Neto disputar o governo, informou, por meio de sua assessoria, que um eventual ingresso de Imbassahy no partido “é muito bem-vendo”. Mas ele rechaça qualquer condicionante para cargo na majoritária.

A TARDE tentou falar, sem sucesso, com o ministro Antonio Imbassahy e com o presidente do PSDB na Bahia, deputado federal João Gualberto, cujo partido pleiteia para o deputado federal Juthay Magalhães Jr. a vaga de senador na chapa de ACM Neto.

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