ARTIGO: A beleza salvará o mundo

Quando apresentei o projeto que cria multa para pichadores e outro que indica a criação de programa para restauro de monumentos e imóveis públicos alvos de vandalismo em nossa capital, pensava nos exemplares da arquitetura ocidental que podemos ver em Salvador e em outras cidades do mundo.

Tais exemplares, assim como as obras de arte criadas neste contexto, têm como marca a representação do itinerário espiritual humano em direção à verdade, à bondade e ao belo. Na verdade, estes três transcendentais guiavam o agir do ocidental, sob a égide do cristianismo.

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A obra de arte jamais precisou, bem como esta arquitetura citada, de elementos exteriores que explicassem seu valor, pois carrega em si sua confirmação; a beleza resplandece e eleva o pensamento de quem observa a arte ou a edificação, seja o Davi de Michelângelo, em Florença, ou nossa Catedral Basílica, no Pelourinho.

Quando entramos, por exemplo, na Igreja do Bonfim, ninguém precisa explicar que aquela edificação e as obras de arte que ornam paredes e altares foram feitas para elevar o pensamento. A beleza “explica-nos” isso. É o contrário de boa parte da arte contemporânea, tão necessitada de contextualizações e justificativas.

É por isso que Dostoiévski apontou que a beleza, e não a via política ou a dialética intelectual, salvará o mundo. Creio que uma renovação cultural deve preceder a renovação política ou econômica. A execração e o repúdio ao belo que marcam nossos tempos são produto de nossa enfermidade espiritual – e tal repúdio abre espaço ao grotesco, ao vandalismo.
Quando eu afirmei em meu primeiro discurso na Câmara Municipal de Salvador que minhas ações viriam lastreadas no que acredito, eu quis ressaltar que defenderia a nossa cultura, as nossas tradições, a nossa religiosidade.

Ao apresentar o projeto contra as pichações, foco na defesa desse patrimônio material que evidencia o fundamento cristão que formou a civilização ocidental e nos legou os princípios de liberdade e respeito que nos são tão caros.

O vereador Alexandre Aleluia (DEM) é presidente da Comissão dos Direitos do Cidadão

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