Vereadores do PV de Salvador reagiram com indignação após a cúpula do partido enviar-lhes uma carta de processo disciplinar que pode culminar em expulsão. O líder de governo na Câmara Municipal de Salvador, Paulo Magalhães Jr., afirmou que vai se defender judicialmente. “Já chegou no meu gabinete [a carta]. Preciso ver de perto. Não estou acreditando”, declarou o edil, que terá duas semanas para se manifestar sobre as acusações. O documento também foi enviado para Sabá e Henrique Carballal. “Pretendo me defender. Não tem motivo para isso”.

O PV alega que os três vereadores descumpriram o estatuto do partido. Todavia, a informação que circula nos bastidores é que a expulsão servirá para atrair novos integrantes da sigla e fazer volume de votos suficientes para eleger o atual secretário de Sustentabilidade da Prefeitura, André Fraga, na Câmara. Os edis entraram na agremiação após indicação do prefeito ACM Neto (DEM) na última eleição municipal.

“É um jogo sujo, medíocre”, vociferou Sabá. “Recebi com certa perplexidade por conta da falta de respeito desses dirigentes do partido em não respeitar a figura pública dos vereadores. Está expondo ao ridículo a figura dos vereadores do partido. Nós estamos no partido por conta de uma articulação feita pelo prefeito ACM Neto. Eles estão faltando com respeito e consideração com o prefeito ACM Neto”, apontou.

Ele afirma que vai tomar providências judiciais contra o partido. “É vergonhoso um partido que quer expulsar três dirigentes eleitos pela vontade do povo, das pessoas e dos cidadãos, em detrimento de um secretário. Isso é postura de partido pequeno, insignificante”, detonou.

Carballal, por sua vez, afirmou que ainda não recebeu o documento. “Nenhum partido pode expulsar um filiado sem antes abrir um processo e dar um direito de defesa”, atacou. “Antes de receber uma carta de expulsão, deveria receber uma carta de que foi aberto um processo disciplinar onde a direção partidária cobra algum tipo de posicionamento diferente do que reza o estatuto e o programa do partido. Se isso não ocorreu, eles estão dizendo que entra e sai quem o dono quer”, completou.

O presidente do PV na Bahia, Ivanilson Gomes, afirmou ao que os vereadores da sigla terão direito da ampla defesa no processo de expulsão instaurado no diretório em Salvador. Henrique Carballal, Paulo Magalhães Júnior e Sabá estão sendo acusados de não descumprimento do estatuto. “Tem um processo disciplinar. Expulsão sempre, em qualquer situação, acontece em último estágio se o processo disciplinar caminhar para isso. É um processo como qualquer outro”, destacou. O gestor da sigla também rebateu o argumento de que a agremiação estaria desrespeitando a aliança com o prefeito ACM Neto (DEM), já que foi o carlista que colocou os três edis na sigla na última eleição. “O PV, em dezembro de 2019, apresentou o meu nome como pré-candidato a prefeito de Salvador”, lembrou. “Nós estamos construindo o nosso programa”.

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