A bancada de oposição na Câmara de Salvador já está fazendo barulho ao criticar o prefeito ACM Neto (DEM), que deve anunciar um aumento na tarifa do transporte municipal em breve. Estimativas do grupo dão conta de que, com o novo aumento, a tarifa pode chegar a R$ 4,25. Ontem, Neto declarou que não haverá aumento ao menos nas próximas duas semanas. “O que eu garanto é que vamos continuar dialogando. E se houver uma decisão de reajuste da tarifa, eu prometo anunciar com antecedência, porque ninguém vai ser pego de surpresa”, voltou a garantir. Para o líder da oposição, vereador Sidninho (Podemos), o aumento confirma o que ele chama de “profecia” de que isentar as empresas do setor do pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), com renúncia de R$ 100 milhões aos cofres municipais. “só beneficiou o empresariado e não os milhares de usuários do transporte público”. A decisão foi referendada pela Câmara Municipal de Salvador após muitos debates e polêmicas.

Após o último aumento para R$ 4,00, a capital baiana passou a ter, junto com Aracaju, que cobra o mesmo valor, a passagem mais cara do Nordeste. “O reajuste [em 2019] foi de 8,1%, maior do que a inflação oficial do ano passado que ficou em 3,75% e no ano que vem o valor pode chegar a R$ 4,25. E o que acontecerão com os trabalhadores soteropolitanos: terão que trabalhar a pé, deixar de trabalhar, de colocar o pão na mesa de suas famílias”, alfineta o edil.

Já a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), vice-líder do bloco parlamentar de oposição, fez um ofício ao prefeito se posicionando contra a possibilidade de aumento da tarifa de ônibus na capital baiana. De acordo com o documento, quando a tarifa foi reajustada para R$ 4, em abril desse ano, a prefeitura abriu mão do pagamento de ISS e Taxa de Regulação, Controle e Fiscalização (TRCF) até dezembro de 2022. Na visão dela, a tarifa de ônibus deveria se manter em R$ 4 durante todo o período de vigência das isenções.

“Mais uma vez o prefeito quer aumentar a tarifa sem demonstrar a necessidade desse aumento. Qual o impacto da isenção? Qual é o verdadeiro custo do transporte coletivo? Os empresários tiveram as dívidas suspensas, foram isentados de qualquer imposto ou taxa pública e ainda precisam de aumento?”, questionou Aladilce. A vereadora cita ainda que, segundo a Lei Orgânica do Município (LOM), qualquer reajuste deve ser submetido à Câmara antes de ser decretado.

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