Catamarã alvo da ação de ‘piratas’ em Maraú (Foto: Divulgação)

A velejadora carioca Maria Augusta Favarato, 38 anos, disse que já perdeu as contas de quantas vezes veio à Bahia, mas que essa última estadia dificilmente irá esquecer.

De passagem, pelo estado, com o marido no catamarã Guruçá, Maria Augusta foi submetida a uma sessão de espancamento durante um assalto à embarcação realizado por “piratas” na manhã desta quarta-feira (24), na cidade de Maraú, Litoral Sul baiano – a região é uma das mais procuradas por turistas na Costa do Dendê por conta das piscinas naturais, coqueirais e longas faixas de areia desertas.

A bordo de uma canoa, dois homens se aproximaram do catamarã de 54 pés que estava ancorado na Praia do Sapinho. Um deles subiu na embarcação e com uma faca rendeu Maria Augusta que foi amarrada numa cadeira com fita adesiva encontrada no próprio catamarã e depois agredida a murros e tapas. Na hora, ela estava sozinha. Os bandidos levaram R$ 1.200.

“Ele havia me amordaçado e me batia porque eu não conseguia dizer onde estava o dinheiro. Depois de muito me bater, foi que ele decidiu procurar e encontrou na minha bolsa a quantia. Ela não precisa me bater”, disse emocionada Maria Augusta, que é instrutora de vela.

Em nota, a Polícia Militar informou que “chegou ao conhecimento da 33ª CIPM (Valença), 5º Pelotão de Camamu, a informação de roubo ocorrido em uma embarcação que se encontrava atracada na Baía de Camamu, município de Maraú, quando dois indivíduos em uma canoa se aproximaram, sendo que um permaneceu no interior da canoa e o outro entrou na embarcação, fez refém uma senhora que lá estava e subtraiu uma quantia em dinheiro. Uma guarnição foi imediatamente até o local, mas os indivíduos já tinham fugido. Policiais militares da 33ª CIPM seguem em diligência em busca dos autores”.

Maria Augusta levou socos e murros no rosto (Foto: Divulgação)

Assalto
Maria Augusta e o marido, Fausto Favarato, saíram do Rio de Janeiro no Guruçá em junho deste ano rumo à uma competição de regata na cidade do Recife, em Pernambuco, programada para acontecer em outubro. O catamarã seguia viagem junto com outras 10 embarcações.

“Então, todos resolveram parar em Camamu. A gente faz isso para descansar e também para conhecer a localidade. Foi a nossa sexta parada. Como o nosso barco é o maior de todas as embarcações, ancoramos um pouco mais distante para ter espaço para girar o Guruçá de acordo com o vento”, contou ela.

Então, por volta das 9h de quarta-feira, o marido dela saiu para passear com o cachorro da raça pinscher, o  Xerife. Pouco depois de meia hora, uma canoa encostou.

“Mas não dava para ver quem estava dentro. Aí um cara gritou: ‘Ô dona, ô dona’. Quando fui ver, uma pessoa já estava dentro do barco. Um homem de estatura mediana, mulato, cabelo raspado e já com uma faca na mão”, contou Maria Augusta.

Ela tentou em vão se proteger. “Saí correndo para dentro do barco, procurei algo para me defender, mas não tinha nada. Como não achei nada, ele me rendeu, me colocou numa cadeira, abriu a caixa de ferramentas e pegou uma fita e passou em volta dos meus braços e pernas e me amordaçou com a fita. Ele usou também um lacre de plástico como algema para imobilizar minhas mãos”, detalhou.

A instrutora de vela disse que os bandidos queriam dinheiro. “Ele perguntava pelo dinheiro, mas estava amordaçada e não tinha como falar e ele me batia nas pernas, no rosto, na costela, no estômago. Me dava tapas e murros”, contou.

“Tinha dinheiro na bolsa, havia sacado, queria dizer isso, mas ele não entendia que ele mesmo me amordaçou e me batia. Tinha tablet, celulares, mas ele só queria dinheiro e o outro, que estava na canoa, só gritava: ‘Só dinheiro’. Foi quando o bandido que estava no barco achou os R$ 1.200 na minha bolsa. Ele ainda viu os cartões e queria mais dinheiro. Como não tinha, tornava a me bater”, relatou.

Maria Augusta apanhou por quase 10 minutos. “Na hora que decidiram ir embora, o bandido que estava no barco me deu um tapa que desmaiei. Acordei uma hora depois com os pés latejando de dor porque ele apertou muito. Consegui me arrastar até o rádio VHF (rádio usado pelos velejadores). Fiquei gemendo no rádio, foi aí que os velejadores perceberam e vieram ao barco e me desamarraram”, relatou ela, que tem marcas da violência no rosto, braços, barriga e pernas.

A instrutora de vela também foi agredida na costela (Foto: Divulgação)

A Bahia sempre esteve nos planos de viagem da instrutora de vela, mas ela nunca esperava que seria vítima de uma ação tão violenta.

“Sempre soube de casos com outros velejadores, mas nunca imaginava passar por isso. A Bahia para nós velejadores é a região mais insegura. Já teve muitos assaltos, principalmente na Ilha de Itaparica, como o caso do casal francês que ficou com o rosto desfigurado porque não compreendia o que eles queriam. E teve também o caso do velejador Abel que foi assassinado também em Itaparica”, declarou.

Em seguida, ela desabafou: “Ações como estas a gente chama de pirataria. Em Angra (RJ), quando vão roubar um veleiro, levam o motor. Aqui, na Bahia, entram no barco e são agressivos. No meu caso, não precisava me bater. Me bateram sem necessidade”.  O casal continua embarcado no catamarã em Maraú, onde deve procurar a Polícia Civil para registrar a ocorrência.

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