O que é uma brincadeira de criança virou papo sério para um grupo de universitários de Salvador que se reuniram para uma competição nacional de aviãozinho de papel que ocorreu neste sábado (27) na praça de esportes do Colégio ISBA, no bairro de Ondina, em Salvador.

A seletiva ocorrerá até esta segunda-feira (29) em dezenas de estados do país durante a Red Bull Paper Wings, que elegerá três brasileiros para a final internacional, na Áustria, no mês que vem.

Para acolher os estudantes, uma “pista de vôo” de 40 metros foi construída com cordas e cones pela empresa. Papéis delimitavam o comprimento da pista. Os resultados eram medidos e cronometrados por staffs e juízes e enviados imediatamente para o sistema da Red Bull nacional.

Victor Vasconcelos, 20, foi vencedor estadual na categoria de maior tempo(Foto: Betto Jr / CORREIO)

Os estudantes que participaram da competição se inscreveram anteriormente nas três modalidades disponíveis: maior tempo de vôo, maior distância e ARcrobacia.

Cada pessoa tinha duas tentativas em cada modalidade. Essa foi a quinta edição da competição, que já foi levada internacionalmente pelo Brasil em dois anos. São 64 países participantes e centenas de seletivas em todo o mundo.

Mesmo sendo uma competição para diversão, teve quem se preparasse bastante antes de chegar no local. Somente a Associação Atlética Acadêmia Antônio Carlos Vieira Lopes, do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba) levou sete competidores. Antes, muitos tutoriais e vídeos com dicas para dobradura do papel e técnica de lançamento do aviãozinho foram vistas por eles.

Mais de 10 modelos de aviõezinhos foram construídos pelos estudantes. Para que o protótipo de aeronave saísse perfeito, até mesmo o auxílio do cartão de crédito foi utilizado por eles. “Nós notamos que a simetria é importante. Usamos o cartão para que a dobradura fosse perfeita. Isso auxilia no vôo”, explicou o estudante Joseilton Gonçalves, 28.

Dentre os participantes, dois se destacavam pelo foco e determinação em fazer modelos diferentes de aviõezinhos: Malu Souza, 19 e Victor Vasconcelos, 20, ambos estudantes de medicina da Ufba e membros da atlética. Na mesa, vários papéis com tentativas de dobraduras.

“A gente viu vários vídeos antes, pesquisamos bastante. Chegamos aqui mais cedo e começamos a fazer os modelos e lançar, para ver qual dava certo. Notamos que o movimento de lançar importa mais do que a força e o tipo de dobradura também pode auxiliar em ir mais longe ou perto”, contaram os dois que admitiram que participaram do evento mais por diversão e não acreditaram tanto na possibilidade de alcançar a etapa internacional, na Áustria.

Também teve quem foi para o evento apenas para a diversão e improviso. Letícia Martins, 23, estudante de Farmácia pela Unifacs e o estudante de Direito na Ruy Barbosa, Jonathan Lima, de 25 anos, fizeram vários modelos, mas confessaram não terem se preparado previamente para a competição. “A gente chegou aqui agora e estamos tentando fazer alguns modelos. Fizemos só uns testes antes de jogar, mas não temos nenhuma técnica”, admitiu Letícia.

No final, o esforço dos estudantes de medicina deu resultado. Na seletiva de Salvador, Victor Vasconcelos foi o ganhador na categoria de maior tempo, com vôo de 3,13 minutos. Já na de maior distância, Lucas Alcântara foi o vencedor, com um vôo de 21, 24 metros. Ambos são estudantes de medicina da Ufba. Cada um deles ganhou um troféu, um mês da Aldeia Crossfit, além de vários energéticos da marca.

Infelizmente, nenhum dos dois foram ganhadores nacionais, e não irão para a Áustria no próximo mês. Um brasileiro estava, até o fechamento desta reportagem, em 9º lugar no mundial com 44,80m. Os baianos, no entanto, podem manter a esperança: o vencedor da categoria de ARcrobacias, que será julgado através de vídeos previamente enviados, só sairá na próxima sexta-feira (3).

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