A segunda audiência de instrução do caso de uma professora que foi morta com tiro na cabeça, em Salvador, ocorreu na manhã desta quarta-feira (6), no Fórum Criminal de Sussuarana, também na capital baiana. A primeira audiência do crime ocorreu há cerca de dois meses, no dia 16 de setembro.

O crime aconteceu em fevereiro deste ano, no bairro de Vila Canária. Na ocasião, Priscila Rebeca Oliveira de Souza, de 37 anos, foi chamada na janela da casa onde morava e um homem efetuou o disparo. A professora foi morta durante a noite, na janela do quarto onde dormia com a filha. A bebê, na época com dois meses, não se feriu.

O homem que baleou a professora ainda não foi encontrado, mas o principal suspeito de ser mandante do crime é Hugo Leonardo Gonçalves da Silva, de 31 anos, ex-companheiro da vítima.

Os familiares de Priscila contaram que ela enfrentava disputa contra o ex-companheiro na Justiça, para ele reconhecesse a paternidade da criança. A disputa pode ter motivado o crime.

Essa segunda audiência de instrução, realizada nesta quarta, acontece após o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e serve para apresentação das provas orais, que são os depoimentos das testemunhas e suspeitos do crime. Nova audiência do caso foi marcada para o dia 10 de fevereiro de 2020.

As pessoas que foram ouvidas nesta quarta-feira foi o dono do carro que Hugo teria dirigido e levado o atirador ao local do crime e uma pessoa que viu a placa do mesmo carro que deixou a Vila Canária, bairro onde a professora foi morta. Detalhes do que as testemunhas contam em audiência não são informados para a imprensa.

Conforme o assistente de acusação, Daniel Isaías, Hugo esteve na audiência, mas não foi ouvido, porque a necessidade desta quarta-feira foi ouvir as testemunhas.

“Hoje foram ouvidas duas testemunhas de acusação. Acompanhei e fiz perguntas. Nessa audiência ficou faltando mais uma testemunha de acusação para o fechamento dessa instrução processual. A partir daí, havendo fato novo, todo conjunto probatório vai se fechar para que leve esse fato a júri popular”, explicou.

Daniel Isaías contou ainda que a instrução processual e as investigações continuam com o objetivo de identificar o executor do crime, já que Hugo é suspeito de ser o mandante.

Hugo cumpriu prisão temporária, mas como ainda não havia uma decisão judicial sobre a prisão preventiva solicitada pelo MP-BA, o suspeito foi solto para responder ao processo em liberdade. Já o homem que atirou na professora segue foragido.

Professora de 37 anos é morta a tiros após ser chamada em janela de casa na BA — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Professora de 37 anos é morta a tiros após ser chamada em janela de casa na BA — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Para a família, a dor da ausência se soma à falta de conclusão sobre o caso.

“O único problema dela é que ela queria uma família. A gente não sabe porque, não sabe a cabeça do ser humano que destrói a vida do outro e destrói a sua vida também. Minha filha não queria nada dele, só queria que a filha tivesse o direito de ter o nome do pai”, lamentou Tereza Cristina Souza, mãe da vítima.

O pai de Priscila, Renato Souza, conta que Hugo ameaçava muito a vítima.

“Uma pessoa que ameaça cumpre. Dizia que a família dele não ia aceitar paternidade nunca. Nem criança nenhuma e se ela colocasse ele na Justiça, ela ia ver o que a família e ele iam fazer. Ele falava isso há muito tempo. Como é que uma pessoa assassina ou manda assassinar pessoa que estava amamentando? Pessoa que mata a mãe da própria filha amamentando não é normal. É um monstro”, disse

No mesmo andar do imóvel onde Priscila foi morta, ela abriria uma creche. Ela morava com a família no prédio onde ocorreu o crime. O imóvel onde funcionaria a creche está fechado e a família se mudou com medo de continuar vivendo ali.

“As pessoas só podem sentir a dor que estou sentindo passando. Cada vez que tem audiência dessa a gente não consegue dormir, a gente sofre. Hugo Leonardo tem que ser preso imediatamente. Esse caso tem que ir a júri popular para que a população julgue esse crime brutal que ele cometeu”, completou o pai de Priscila.

Retrato Falado

Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de matar professora a mando do ex na Bahia  — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de matar professora a mando do ex na Bahia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Ainda no mês de fevereiro, cerca de seis dias após o crime, a Polícia Civil divulgou o retrato falado do homem suspeito de atirar contra Priscila. De acordo com a polícia, o homem é negro, tem olhos escuros, aproximadamente 1,75 m de altura e aparenta ter 35 anos. No momento do crime, ele usava uma camisa social de mangas curtas e boné.

Conforme a polícia, o retrato falado foi elaborado pela Coordenação de Topografia, Modelagem e Desenho, do Departamento de Polícia Técnica (DPT), após relatos de testemunhas, que viram o suspeito na frente da casa da vítima. Ele é procurado.

Qualquer informação que possa auxiliar a polícia na identificação do autor do tiro pode ser encaminhada pelo Disque-Denúncia, no número (71) 3235-0000. Não é necessário identificar-se e o sigilo é garantido.

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