De acordo com um grande estudo publicado no periódico científico The Journals of Gerontology, possuir um gene associado à demência duplica o risco de desenvolver um quadro grave de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2).

O estudo é o mais recente a sugerir que a genética pode ter um papel no motivo pelo qual algumas pessoas são mais vulneráveis ao vírus. A demência é uma das condições de saúde subjacentes mais comuns entre as pessoas que morreram de covid-19 na Inglaterra e no País de Gales, locais que foram o foco do estudo.

Ao analisar dados de um banco de 500 mil pacientes com idades entre 48 e 86 anos, a equipe de pesquisadores descobriu o alto risco entre participantes que carregavam duas cópias “defeituosas” do gene APOE (denominado e4e4). De acordo com a análise, essa particularidade no código genético aumenta os riscos da doença de Alzheimer em até 14 vezes, além de riscos de doenças cardíacas.

Após ter acesso aos dados, os cientistas analisaram os testes positivos para a covid-19 entre 16 de março e 26 de abril, quando o teste para o coronavírus foi realizado em grande parte em hospitais, examinando quais casos eram graves.

“O resultado é importante porque mostra novamente que o aumento dos riscos de doenças que parecem inevitáveis com o envelhecimento pode ser devido a diferenças biológicas específicas, o que pode nos ajudar a entender por que algumas pessoas permanecem ativas até os 100 anos de idade ou mais, enquanto outras ficam incapacitadas e morrem. anos antes”, disse Chia-Ling Kuo, um dos autores da pesquisa.

O professor David Melzer, que liderou a equipe, afirmou: “Vários estudos já mostraram que pessoas com demência correm alto risco de desenvolver covid-19 grave. Este estudo sugere que esse alto risco pode não ser simplesmente devido aos efeitos da demência, idade avançada ou fragilidade ou exposição ao vírus em casas de repouso — pode ser parcialmente devido a essa mudança genética subjacente”.

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