O ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou um juiz para conversar com os 11 delatores da Andrade Gutierrez que assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. O magistrado sempre toma a precaução antes de homologar as iniciativas de colaboração.

CONFORTO PESSOAL
A intenção de Zavascki é se certificar de que nenhum colaborador sofreu pressão para delatar, o que é ilegal. De acordo com profissional que acompanha o processo, os executivos da Andrade fizeram acordos espontâneos, ao concluírem que seria a melhor forma de escapar de punições duras na Justiça. Se condenados, eles têm agora chance de cumprir pena em suas próprias casas.

MEMÓRIA
A delação, se homologada, deve ser uma das mais graves contra o governo: como antecipou a coluna, a Andrade decidiu dar à Operação Lava Jato informações sobre pagamentos à campanha de Dilma Rousseff e de Michel Temer por meio de caixa dois em 2014.

CABEÇA BAIXA
Caso Lula siga mostrando dúvida em relação à possibilidade de derrotar o impeachment, Dilma Rousseff já pode dar a queda como certa. A avaliação é do dirigente de um dos principais partidos no Congresso. Ele avalia que o governo ainda pode ter 182 votos para evitar o impedimento (são necessários 171). Desde que, além de distribuir cargos, faça campanha intensa para convencer deputados de que ainda há chance de vitória. O desânimo de Lula não ajuda.

TROCO
O dirigente fez conta na ponta do lápis. Além de 97 parlamentares de partidos como PT e PC do B, o “núcleo duro” do governo, Dilma poderia contar com 8 votos no PMDB, 27 no PP, 20 no PR e 22 de partidos nanicos. O PSD de Gilberto Kassab compareceria com apenas 8 deputados, numa mostra de que o amplo espaço dado a ele em quase nada ajudou o governo.

Compartilhar