O dólar fechou na máxima histórica nesta quinta-feira, perto de 4,26 reais, depois de ter superado 4,27 reais no pico do dia em meio a uma onda de aversão a risco nos mercados financeiros globais por temores referentes ao coronavírus surgido na China.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta quinta-feira que a epidemia de coronavírus na China agora constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional, em meio a evidências crescentes do vírus se espalhando por cerca de 18 países.

A China segue como o país mais afetado. O receio do mercado é que a paralisação de diversos serviços no gigante asiático para conter a propagação do vírus provoque uma desaceleração na atividade chinesa a ponto de afetar toda a economia global.

O real até se manteve nesta sessão entre as moedas de pior desempenho, mas, diferentemente de vários pregões neste mês, operou em maior sintonia com seus pares emergentes, conforme os receios do vírus têm minado o apetite por ativos mais arriscados neste primeiro mês do ano.

Janeiro, aliás, tem sido de forte pressão no câmbio. Faltando um dia para o fim do mês, o real se desvaloriza em termos nominais 5,78% ante o dólar, a passos largos para registrar o pior desempenho para qualquer mês desde agosto passado e o mais fraco para meses de janeiro desde 2010.

Analistas argumentam que a fraqueza do câmbio neste mês decorre de uma série de fatores, entre os quais expectativa maior de queda dos juros, números piores de conta corrente e sinais de retomada mais lenta que a esperada na atividade econômica.

A “cereja do bolo” tem sido o exterior mais arisco nas últimas semanas, devido ao receio de que o coronavírus afete uma economia chinesa já em seu menor ritmo de crescimento em cerca de três décadas. A China é o principal parceiro comercial do Brasil e voraz consumidor de matérias-primas, grupo com importante peso na balança comercial brasileira.

“O coronavírus realmente está preocupando pelo canal das commodities, já que existe o medo de que a economia da China desacelere”, diz Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos. “As commodities estão caindo, os termos de troca estão piorando, e temos vindo de semanas de dados ruins da balança comercial. Nada está ajudando (o real)”, completou.

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