Pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), analisaram os bairros de Salvador para determinar o índice de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com o estudo, realizado no período de 23 de março a 27 de abril, Stella Maris, Graça, Vitória, Barra, Garcia e Pituba apresentaram taxas de adesão às medidas de distanciamento de 57%, os melhores números entre todas as regiões da capital baiana.

Marcio Natividade, explica que o estudo se deu a partir de informações de um milhão de smartphones geolocalizados. Ele é professor do ISC da Ufba e um dos autores do estudo.

“Foi calculado o índice de isolamento a partir da disponibilidade de dados de uma empresa. Conseguimos uma parceria com a Inloco. Com esses dados, foi possível calcular o índice médio em cada bairro de Salvador. A Inloco detém informação de um milhão de Smarphones em Salvador. É uma quantidade representativa. Com essa informação, foi possível calcular o deslocamento das pessoas. São dados criptografados”, explica.

A pesquisa também revelou que os bairros de Jardim Cajazeiras, Jardim Santo Inácio, Pau da Lima, São Marcos, Arenoso e Sussuarana possuem o pior índice de distanciamento social. Eles registraram, em média, 48% de isolamento.

Marcio Natividade conta que a pesquisa relacionou a distribuição do distanciamento com as desigualdades sociais existentes.

“Foi possível observar que as maiores proporções médias desse índice de isolamento se concentram em bairros com melhores condições de vida, os bairros da faixa litorânea do nosso município. Os bairros que apresentaram menores percentuais foram bairros da nossa periferia. Um bairro vizinho do outro sofre influência”, explica.

O professor afirma que vários fatores podem interferir na baixa adesão ao isolamento social nas áreas periféricas, como uma maior necessidade de deslocamento da população para trabalhar, a qualidade das habitações, prevalência do trabalho informal e outras questões ligadas à renda.

“Nesta nossa observação, chegamos à conclusão de que aqueles bairros da periferia com piores condição de vida são os que têm menores índices por questão de trabalho e renda. A maioria dessas pessoas, elas vivem do trabalho informal, diversos ramos de atividade que precisam se deslocar, diferente desses outros bairros, em que a população tem privilégio de se isolar e trabalhar em home office”, continua.

Números no estado e capital

O estudo constatou que, até o dia 27 de abril, nenhum bairro da capital baiana atingiu o valor mínimo de isolamento recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 60% e 70%.

De modo geral, Salvador apresentou, no último índice apurado de 27 de abril, 50,1% de isolamento. O maior percentual registrado na capital foi em 22 de abril, quando chegou a 67% de adesão.

Na Bahia, segundo o último dado apurado, a taxa registrada foi 51,6% de isolamento. O maior valor registrado no estado foi no dia 22 de março, quando chegou a 58,3%; e o menor em 16 de abril, com 40%.

Por outro lado, Márcio Natividade aponta redução na curva projetada para esse momento. Segundo ele, o estudo demonstra a importância do distanciamento social como medida para não comprometer todo o sistema de saúde.

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