Os sintomas parecem ser iguais —e, na real, são mesmo bastante parecidos. Mas saber diferenciar sonolência, fadiga e cansaço é importante para ajudar na investigação e no tratamento de alguns distúrbios que prejudicam a saúde.

Mas não se sinta mal: é bastante comum chegar ao consultório e confundir os três quadros. “A diferenciação é difícil e depende muito da forma como da situação que o paciente descreve, e não necessariamente a palavra que ele usa”, afirma Pedro Genta, pneumologista e coordenador do Centro de Medicina do Sono do HCor, em São Paulo.

Vale lembrar ainda que os sintomas podem se cruzar. A sonolência, por exemplo, quando se torna crônica pela falta de uma noite de descanso adequada, pode causar fadiga ao longo do dia.

Por esse motivo, o primeiro passo é destrinchar aquela sensação. “Eu costumo sempre perguntar: se você subir uma escada correndo, você vai querer uma cadeira ou uma cama?”, afirma Luciano Ribeiro, especialista em medicina do sono do Hospital Oswaldo Cruz (SP). “A resposta vai começar a dar direções sobre o que de fato ele está sentindo”, acredita.

Definindo a sonolência

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Esse talvez seja o sintoma menos complexo de ser definido. “A sonolência é quando você tem sono, ou seja, você quer deitar em uma cama e dormir”, explica Ribeiro.

É aquela sensação que temos logo após o almoço, por exemplo, quando nos sentimos sem energia, as pálpebras ficam pesadas e manter o foco em qualquer coisa se torna difícil (para não dizer impossível).

Sentir-se sonolento após um dia inteiro de atividades é comum e esperado. Afinal, o corpo precisa descansar e libera hormônios para que você comece a reduzir as atividades e se recolher para descansar. “O problema é quando se torna um problema crônico, incontrolável, o que pode indicar uma alteração cognitiva”, avalia Marcus Yun Bin Pai, fisiatra, médico especialista em dor e pesquisador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Entendendo a fadiga

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Por outro lado, a fadiga é um cansaço excessivo, mental e/ou físico, que não é aliviado nem durante o sono. As pessoas com fadiga costumam sentir irritação, dificuldade de concentração e até sensibilidade à luz. Também deixam de frequentar encontros sociais por pura falta de vontade de sair de casa.

O sintoma, que pode ser agudo ou crônico, muitas vezes afeta a qualidade de vida da pessoa. “Quem sofre da síndrome da fadiga crônica, por exemplo, têm um cansaço e sonolência desproporcionais e muitas vezes sofre preconceito, sendo chamado de preguiçoso”, avalia Bin Pai.

O quadro, no entanto, é real e pode se agravar em pessoas que sofram de depressão, doença emocional que também provoca fadiga e falta de energia diante de atividades consideradas cotidianas.

E o cansaço?

Sentir-se cansado é comum a todos depois de um dia de atividades normal. Geralmente, você sabe que precisa repousar e uma boa noite de sono é suficiente para recarregar as baterias.

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Mas a definição médica nem sempre é tão simples porque o significado de “cansaço” pode ter muitos sentidos, dependendo do paciente. “Ele pode ser físico, indicando algo muscular, ou até estar relacionado à falta de ar”, afirma Pedro Genta.

Alguns pacientes também costumam falar em “fraqueza” quando definem o cansaço, e também podem sentir os membros pesados, além de dificuldade de concentração.

Por que é importante diferenciar?

“Os três sintomas são relevantes e devem ser investigados, pois costumam ter causas importantes para a saúde”, alerta Luciano Ribeiro. Segundo ele, a hora de procurar ajuda é quando uma ou mais dessas sensações começarem a a interferir na execução das atividades diárias ou nos relacionamentos sociais.

Uma vez no consultório, é esperado que o médico faça várias perguntas para entender melhor qual é exatamente a queixa do paciente. Ele também poderá pedir exames para ajudar na construção do diagnóstico clínico e definir a causa do sintoma.

Distúrbios do sono como apneia, por exemplo, costumam provocar tanto sonolência durante o dia como fadiga crônica. Outro quadro que pode provocar sonolência em excesso —embora mais raro— é a narcolepsia, um sono extremamente intenso que não pode ser controlado pela pessoa.

Já a fadiga tem um leque mais amplo de possíveis causas, como fibromialgia, esclerose múltipla, anemia e até doenças infecciosas e virais —como a própria covid-19, provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). “Pelos relatos, sabemos que há pessoas que ficam completamente sem energia para sair da cama, um quadro mais agressivo do que o da gripe comum”, afirma Bin Pai.

Por fim, o cansaço costuma ser um quadro agudo que passa após o descanso ou repouso. Mas, quando está ligado à falta de ar, pode ser algo mais sério, indicando comprometimento dos pulmões. “Nesses casos, é preciso buscar ajuda tão logo o sintoma seja detectado”, alerta Ribeiro.

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