O secretário municipal de Trabalho, Esportes e Lazer (Semtel), Alberto Pimentel, prometeu, ontem, comparecer à Câmara de Salvador após um requerimento de convocação ser aprovado na Casa anteontem. A aprovação do texto é considerada um fato inédito, já que outros secretários foram ao Legislativo soteropolitano por meio de convite.

Desta vez, se o titular da Semtel não ir prestar esclarecimentos aos vereadores, pode responder por crime de responsabilidade, já que foi convocado. “Será uma oportunidade para demonstrar que essa é, na verdade, uma tentativa de fabricar uma crise a partir de informações que não são corretas. […] Será um prazer ir à Câmara Municipal de Salvador, em nome, principalmente, do respeito que tenho à Casa, aos seus membros eleitos pelo povo. Será uma oportunidade para demonstrar a realidade e que tudo não passa de uma tentativa de criar uma crise”, declarou Pimentel.

O titular da Semtel se envolveu numa polêmica após pôr o policial militar Jorge Bruno Guimarães na estrutura da secretaria, sem nomear. O PM é réu por agredir a ex-namorada identificada apenas por A. B. de O.

A denúncia tramita na 1º Vara da Justiça pela Paz em Casa, de Feira de Santana. O secretário nega que o aliado tenha agredido a ex-parceira. “O processo foi arquivado duas vezes por falta de provas e agora aguarda nova decisão do juiz”, disse Pimentel.

O secretário culpa a imprensa pela esposa do PM, Fatty Mileyde Quispe Vega, de 32 anos, ter tido um aborto. “Infelizmente, a esposa do Jorge Bruno, que estava grávida de 12 semanas, começou a apresentar sangramentos assim que leu as primeiras manchetes que diziam que seu esposo era um agressor de mulheres”, afirmou.

Ontem, o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), minimizou a polêmica. “Todos os secretários estão e sempre estarão à disposição da Câmara. Na nossa gestão, nenhum secretário tem dificuldade de conversar e dialogar com a Câmara. Com certeza, o secretário Alberto irá encarar isso até como uma oportunidade de fazer prestação de contas do pouco tempo que ele tem na frente da Semtel”, disse. “Não há dificuldade nenhuma com a Câmara. Querem instalar crise onde não existe”, acrescentou.

Também aliado de Bolsonaro na Bahia, o deputado estadual Capitão Alden (PSL) evitou falar sobre o caso Pimentel. “Eu acho que cada um tem que responder pelos seus atos. Agora, nem eu nem a deputada Talita [Oliveira, do PSL] participamos das indicações.

Como não foi dada essa oportunidade, não tenho como opinar”, declarou. “As indicações devem ser feitas analisando critérios técnicos e a vida pregressa. O gestor tem que estar atento. Agora, não participei da escolha dele”, acrescentou.

O parlamentar, no entanto, cobrou do partido uma participação maior dele e de Talita nas indicações do PSL. “A gente tem que participar mais dessas indicações. Talvez, poderíamos se tivéssemos participado, ter feito uma análise”, salientou.

Da bancada de oposição, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) voltou a cobrar explicações. “Acho que as denúncias são graves e precisam ser esclarecidas. A Câmara esta agindo corretamente, amparada no regimento e no exercício de sua prerrogativa de fiscal do Poder Executivo.

A Câmara tem obrigação de cobrar esses esclarecimentos e os secretários têm que prestar contas à Câmara. Isso precisa ser visto como um ato normal”, ressaltou a comunista.

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