Pelo menos cinco mudanças são feitas no trânsito de Salvador por mês. Nem todas elas envolvem obras. Na maioria das vezes, são alterações de fluxo, como ruas que passam a ter sentido único. Mas o objetivo é sempre o mesmo: dar maior fluidez no trânsito da cidade.

Em quatro anos, cinco grandes obras ajudaram a desafogar o trânsito da capital: no Jardim dos Namorados, em Cajazeiras, na Avenida Suburbana, na Avenida ACM (região do Iguatemi) e, mais recentemente, na Avenida Mãe Stella de Oxóssi, no bairro de Stela Maris. Só essas obras tiveram um investimento de R$ 31,7 milhões.

Por trás das mudanças, estão cerca de 26 profissionais, entre engenheiros, arquitetos e urbanistas, da Diretoria de Trânsito e da Gerência de Projetos da Transalvador que realizam estudos técnicos a partir de levantamentos do sistema viário e do volume de tráfego da cidade, além de fazer uma projeção desse volume após as intervenções.

Com uma frota de, aproximadamente, um milhão de veículos, Salvador sofre com os engarrafamentos – problema de outras grandes capitais. Só para se ter uma ideia, no ano 2000 eram cerca de 370 mil veículos, o que dá um crescimento de 170% em quase duas décadas.

Para o superintendente do órgão, Fabrizzio Muller, além do crescimento desordenado do fluxo de veículos, o que causa os grandes congestionamentos, existem projetos que são mais delicados e que precisam de mais tempo para sair do papel. Alguns já estão engatados, quase prontos para serem implementados.

É o caso das avenidas Edgard Santos (Narandiba), Jorge Amado (Imbuí), Largo do Tamarineiro (IAPI), Avenida Silveira Martins (Cabula) e Avenida Tancredo Neves, considerados projetos prioritários para o órgão.

No Cabula, por exemplo, quem segue no sentido da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) enfrenta por mês uma média de 658 mil veículos. Isso corresponde a cerca de 22 mil por dia e 915 a cada hora.

A mesma coisa acontece com a Avenida Jorge Amado, sentido Paralela, por onde passam 398 mil veículos a cada mês – 13,3 mil por dia e 553 por hora. Ou na Avenida Tancredo Neves, classificada por Fabrizzio Muller como uma das urgências da equipe de estratégias da Transalvador.

Por lá, de acordo com o órgão de trânsito, circula todos os meses uma média de 1 milhão de veículos – ou 35,2 mil por dia e 1,5 mil por hora.

“Esse é um dos problemas da Transalvador, porque desembocam na Tancredo Neves carros que saem da Magalhães Neto, da Avenida Professor Manoel Ribeiro, do Iguatemi. Ou seja, são regiões onde há grande fluxo de veículos”, afirmou.

Ainda segundo Fabrizzio Muller, o órgão de trânsito tem intensificado os estudos sobre as intervenções nas cinco avenidas consideradas prioritárias. “No entanto, a gente não pode dizer quando as obras vão começar, porque ainda há muito o que se estudar e analisar sobre cada localidade”, garantiu.
Especificamente sobre a Tancredo Neves, o superintendente explicou que “os estudos estão em fase de desenvolvimento e serão intervenções importantes que devem ser executadas em breve”.

Obras

A obra no Jardim dos Namorados, realizada em 2017, teve investimento de R$ 1,5 milhão, e contou com a abertura e sinalização de nova via na Avenida Octávio Mangabeira, sentido Pituba, com implantação de sinalização viária e equipamentos eletrônicos.

Outra grande obra foi realizada em 2015, quando a Transalvador criou a Avenida Jorge Calmon Muniz de Bittencourt, uma via urbana para ligação entre as Cajazeiras VIII e X com aproximadamente 700m de extensão, com custo de R$ 12 milhões.

Também em 2015, foram investidos R$ 9 milhões na Avenida Afrânio Peixoto, mais conhecida como Suburbana, com obras de revitalização, implantação de 10 retornos para a fluidez do tráfego e de ciclovia com 14km de extensão, além da recuperação de meio fio, pavimentação asfáltica, sinalização e alargamento da via.

No mesmo ano, a Avenida Antônio Carlos Magalhães e regiões do entorno passaram por obras de requalificação no valor de R$ 1,4 milhão, quando houve implantação de canteiros ordenadores de tráfego, passeios, ampliação de pista de rolamento, retornos e novos acessos e saídas e inversão de sentido de fluxo de tráfego na Via Marginal, com objetivo otimizar trânsito da região.

Outro exemplo de intervenção foi a criação da Avenida Mãe Stella de Oxóssi, em 2018 e inaugurada do início deste ano, que tem como principal função fazer a ligação entre a Paralela e a orla de Stella Maris, desafogando o trânsito na região. Foram investidos quase R$ 7,8 milhões na obra.

Também neste ano, foi entregue um novo trecho da Avenida 29 de Março, com três quilômetros de extensão, para ligar a BR-324 à orla de Salvador. O investimento total do governo do estado é de cerca de R$ 10 bilhões.

Investimentos
Na série histórica de investimentos da Transalvador para a melhoria do fluxo da capital baiana, segundo o órgão, percebe-se um crescimento de cerca de 120% entre 2014 e 2018. No primeiro ano, foram gastos R$ 3,6 milhões contra mais de R$ 7,8 milhões no ano passado.

Para Fabrizzio Muller, além da geografia complicada, outro aspecto que dificulta as ações é o crescimento desordenado da cidade. “Para realizar obras como essas, a gente precisa analisar elementos que compõem a região, como o comércio, as residências, as questões que envolvem desapropriação, e tudo isso leva tempo. Não é apenas identificar o problema e partir para a ação”, explicou.

O superintendente também destacou que, antes de tirar do papel, todas as intervenções são projetadas com a ajuda de um software específico de simulações. “Todos os problemas são conhecidos pela Transalvador, que vê a melhor forma de partir para a ação. O problema é que nem nem sempre as soluções são fáceis e viáveis. A constatação de que precisa de intervenção é rápida, o que demora é chegar à solução mais adequada dentro do que é possível”, disse.

Cidade inteligente
A cidade do Salvador também tem se destacado não só pela existência do Núcleo de Operações Assistidas da Transalvador, que atua no monitoramento das ruas e avenidas 24 horas por dia, como, também, em razão do caráter inteligente de estratégias voltadas para a melhoria do tráfego.

“A utilização de semáforos inteligentes foi o nosso ponto de partida para tornar Salvador uma cidade mais moderna. Essa modalidade de controle do trânsito é uma inovação entre as capitais brasileiras”, afirmou Fabrizzio Muller. Atualmente, são 128 equipamentos instalados, que ajudam a otimizar o fluxo de veículos da capital baiana.

O superintendente explicou que os semáforos “conseguem, a partir de sensores, identificar o volume de cada movimento, de cada via, melhorando o tempo do tráfego de veículos”. Ou seja, se o equipamento detectar uma área com mais retenção que outra, automaticamente, ele vai manter-se verde nesta localidade, permitindo que o engarrafamento diminua e que o trânsito flua com mais facilidade naquele local.

Ainda segundo Fabrizzio, “os resultados são, de certa forma, pequenos, e perceptíveis muito mais por quem acompanha os dados. Perceber que um semáforo inteligente consegue retardar o horário de pico de um local em 20 minutos é algo considerável, mas que o motorista, que está ali, andando a 7 km/h, não percebe”, disse.

Além da adoção dos semáforos inteligentes, a Transalvador também passou a implementar maior tecnologia no acompanhamento do trânsito da cidade. “É o que acontece com o Grupo de Análise de Trânsito, que permite ao motorista acompanhar em tempo real o fluxo das principais ruas e avenidas da capital baiana. Conhecido como GAT, o sistema discrimina por cores (vermelho, amarelo e verde) as áreas e aponta qual a velocidade média registrada em cada localidade”, explicou.

O NOA também faz parte implementação tecnológica, sendo ainda um canal de comunicação entre a Transalvador e a população. “A gente recebe mensagens e os agentes fazem a checagem da informação por meio de câmeras de videomonitoramento. A depender da gravidade, uma viatura é enviada ao local”, afirmou Fabrizzio.

Para realizar qualquer intervenção viária, a Transalvador tanto pode ser demandada pela população, através de solicitações no órgão, pela Ouvidoria, redes sociais ou imprensa, quanto por observação própria, dos servidores e agentes do órgão, que identificam situações de trânsito que necessitam de melhorias.

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