Ninguém sabe ao certo quanto tempo um pneu de carro leva para se decompor. No entanto, especialistas afirmam que o primeiro pneu inventado, em 1845, ainda não teve tempo para ser degradado por completo. Apesar disso, eles ocupam um espaço bem significativo nos aterros sanitários, lixões e até mesmo no mar, tornando o material um objeto de poluição ambiental, além de criadouro de mosquitos, possibilitando a proliferação de arbovírus, a exemplo da dengue, malária e febre amarela. Os pneus, quando lançados em rios ou córregos terminam por obstruir a passagem da água e facilitam a ocorrência de enchentes.

Pensando em garantir uma destinação correta aos pneus que não podem mais ser aproveitados, o Auto Shopping Itapoan (ASI) em parceria com a Reciclanip, instituição criada pela indústria nacional de pneus, criaram um ponto de coleta de pneus. “Os consumidores, sejam eles clientes ou não do Auto Shopping Itapoan, terão aqui um ponto de coleta e a segurança de que contribuirão para a preservação do meio ambiente e para a saúde da população porque os pneus coletados serão destinados para a reciclagem”, explica gerente geral do Auto Shopping Itapoan, Daniela Peres.

Destinação
A Reciclanip fará o trabalho de coleta e destinação de pneus. Pelo seu alto poder calorífico, cerca de 70% dos pneus inservíveis são utilizados como combustível alternativo em fornos de cimenteiras, em substituição ao coque de petróleo. A borracha retirada dos pneus pós-consumo dá origem a diversos artefatos, entre os quais tapetes para automóveis, pisos industriais e pisos para quadras poliesportivas.

Os pneus inservíveis também podem ser triturados, gerando um pó de borracha que, adicionado à massa asfáltica, produz um asfalto com vida útil maior. O chamado asfalto-borracha gera um nível de ruído menor e oferece maior segurança aos usuários das rodovias.

Vale salientar que a produção do pneu envolve uso de petróleo, que é um recurso natural não-renovável e cada vez mais escasso, borracha natural extraída do látex, aço e lona. Quando queimado a céu aberto, o produto libera na atmosfera uma grande quantidade de gás carbônico e monóxido de carbono (principais responsáveis pelo aquecimento global), além de óxidos de enxofre e nitrogênio, metais pesados, material particulado, dioxinas e furanos. A maioria dessas substâncias é tóxica e pode causar a morte, quando inaladas em excesso.

“A participação de todos os elos da cadeia é essencial para o sucesso da logística reversa. É fundamental que todos estejam envolvidos e conscientes sobre a importância do descarte correto de pneus inservíveis. Esperamos a colaboração de toda a população, trazendo os pneus que não usam mais, pois não há limite de unidades para o descarte”, explica Rafael Martins, gerente geral da Reciclanip’.

Sustentável
O projeto teve início em 1999, com o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis implantado pela Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), entidade que representa os fabricantes de pneus novos no Brasil. Ao longo dos anos, o programa foi sendo ampliado para todas as regiões do País e os fabricantes decidiram criar uma entidade voltada exclusivamente para esse fim.

Sendo assim, em 2007, a Reciclanip foi criada pelos fabricantes de pneus novos Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli. Em 2010, a Continental juntou-se à entidade e, em 2014, foi a vez da Dunlop. As atividades atendem à resolução 416/09 do Conama, que regulamenta a coleta e destinação dos pneus inservíveis.

O trabalho de logística reversa da Reciclanip já recebeu vários reconhecimentos, como o Prêmio E, concedido pela UNESCO em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Instituto E; o Prêmio FIESP, como exemplo de ação de sustentabilidade; e o Prêmio Opinião Pública (POP) dos Conselhos de Relações Públicas pelo trabalho de conscientização da população sobre o recolhimento e destinação adequada dos pneus inservíveis.

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