O governador Rui Costa (PT) revelou, ontem, que soube da operação que matou o miliciano Adriano da Nóbrega após ser deflagrada. O ex-capitão do Bope foi morto, no final de semana passada, na cidade baiana de Esplanada. “[Fiquei sabendo] depois da operação”, limitou-se a dizer o petista, ao declarar que depois da ação se reuniu com o secretário estadual da Segurança Pública, Mauricio Barbosa, que fez um “breve relato” do acontecido.

O chefe do Palácio de Ondina evitou, novamente, tecer comentários sobre a operação depois que a revista Veja divulgou fotos em que fortalece a tese de que houve “queima de arquivo”. “Eu sou governador do estado. Eu não cuido de cada bandido, de cada criminoso da Bahia e muito menos do Brasil. Isso está nas mãos do Ministério Público do Rio (de Janeiro), do Ministério Público da Bahia, da Justiça. Eu evidente sentei com o secretário para ele me fazer um breve relato, mas eu não dou declaração. E não dou detalhes de algo que não é da minha área. Eu não entendo nada do mundo do crime. Eu não sou miliciano. Nunca tive amizade com miliciano. Eu não tenho que ficar dando declaração sobre isso”, declarou.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Adriano foi encontrado no município baiano de Esplanada. Ainda segundo a SSP-BA, quando os policiais chegaram, o miliciano teria efetuado disparos e, na troca de tiros, teria sido ferido. Ele teria sido levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Homenageado duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio pelo hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido) – filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Adriano é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” (esquema de devolução de salários) no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O miliciano teve a mãe e a mulher nomeadas para cargos quando Flávio era deputado estadual no Rio.

Dois especialistas ouvidos pela Veja analisaram as imagens obtidas pela revista. Embora ponderem que uma avaliação mais precisa dependa da análise do corpo, eles consideram haver indícios de que Adriano tenha sido atingido a curta distância. Um médico legista da Universidade de Brasília, Malthus Galvão, afirmou que marcas vermelhas próximas da região do peito indicam que o disparo teria ocorrido a uma distância de no máximo 40 centímetros, considerando um revólver ou uma pistola.

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