O governador Rui Costa (PT) disse ontem que ter uma candidatura única de seu grupo à prefeitura de Salvador talvez não seja a melhor estratégia. Segundo o petista, ainda é cedo para discutir o assunto.  “Ainda é cedo, mas a priori, eu não vejo nenhuma necessidade disso e nem acho essa, a priori, a melhor estratégia. Não vejo necessidade, e não sei se essa seria a melhor estratégia para conduzirmos o processo eleitoral”, disse em entrevista coletiva após o lançamento do programa Bahia, Estado Voluntário, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A informação é do Bahia.ba.

Mais cedo, Rui disse que viu com “estranheza” o alerta emitido pelo Tribunal de Contas da Bahia (TCE) ao governo por ultrapassar o limite prudencial de gastos com pessoal. O parecer foi da conselheira Carolina Costa, que atendeu a pedido feito por auditores da Corte após realizarem auditoria nas contas do estado referentes ao primeiro quadrimestre deste ano. Na análise da despesa com pessoal, o TCE identificou que os gastos com pessoal do Poder Executivo atingiram o percentual de 48,45% da Receita Corrente Líquida (RCL), acima, portanto, do limite prudencial (46,55%). O alerta da conselheira foi levado ao plenário da Corte de Contas, mas o julgamento foi suspenso após um pedido de vistas feito pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

“Estou estranhando. Não existe rompimento. O último balanço publicado foi 46,13%. O limite é 46,17%. A gente estava batendo na trave. Mas essa é historicamente a posição da Bahia. Isso está alinhado com o que prometi aos servidores, ao povo baiano, que eu iria valorizar ao máximo servidores até o limite da lei. E o limite da lei é a Lei de Responsabilidade Fiscal. (…) Eu não conheço esses números. Vou checar. O número que eu conheço é de 46,13%. Eu não conheço  esses números em relação ao TCE. Eventualmente, pode ser o parecer de um técnico, que eu não sei o que ele considerou como despesa de pessoal”, declarou Rui, em entrevista à imprensa.

A oposição aproveitou o parecer da conselheira Carolina Costa para criticar o governo. O deputado estadual Alan Sanches (DEM) afirmou que o alerta emitido pelo TCE mostra a “grave situação das contas do estado”. “A máscara do governo começa a cair. Há meses, anos que estamos alertando para a maquiagem feita pelo governador Rui Costa nas contas do estado. Uma hora essa conta vai ser paga, e as consequências vão cair nas costas do povo”, disse o parlamentar. “O alerta do TCE mostra que o governo não consegue racionalizar seus gastos. A situação se soma às tantas outras avaliações técnicas, como os relatórios do Tesouro Nacional, que colocam a Bahia com a nota C na capacidade de pagamento, classificando o estado na condição de mau pagador e como incapaz de honrar seus compromissos”, emendou.

Rui Costa ainda falou sobre a troca de farpas entre o vice-governador da Bahia, João Leão (PP), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Anteontem na Câmara, Leão afirmou que a prefeitura conhece o projeto da ponte Salvador-Itaparica. O democrata negou. “Em nenhum momento a prefeitura foi chamada para discutir tecnicamente o projeto da ponte Salvador-Itaparica e ele sabe bem disso. Se ele não está habituado a levar as coisas a sério e com a profundidade que elas necessitam, eu estou. Ele precisa ter mais respeito com a capital da Bahia”, frisou o prefeito.

O governador afirmou que o povo anda cansado do “disse-me-disse” da política. “Acho que é preciso valorizar o povo baiano, valorizar as obras. O povo está cansado desse disse-me-disse, do discurso político, de discurso ideológico. O presidente Bolsonaro foi para ONU só fazer discurso ideológico, raivoso. Isso não ajuda o brasil. O Brasil precisa retomar a paz, o trabalho, o crescimento. Só paz  e trabalho que geram emprego para as pessoas. O povo está sofrendo muito. Não gosto deste disse-me-disse, desse nhem nhem nhem”, afirmou, ao elogiar novamente a proposta da ponte. “O projeto cresceu enormemente a sua credibilidade que fez com que hoje a gente tenha grandes empresas – não só chinesas – acompanhando, analisando. Espero que todas participem, porque quanto maior a concorrência menor o preço. Vai ser um ano de projeto e mais quatro anos de construção. Daqui a cinco, o governador que tiver vai inaugurar a obra”, pontuou.

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