Com intensa movimentação de máquinas na área aberta do canal e pavimentação ainda bastante irregular, a requalificação da Rua Cônego Pereira, prevista para conclusão no mês passado, deve seguir até o final de abril. O novo prazo foi informado pelo titular da Superintendência de Obras Públicas (Sucop), Jessé Carvalho, que considera o atraso algo natural em áreas urbanas, com muita população e tráfego.

“A Cônego é uma via antiga, implantada há muitos anos, então temos muitas interferências com equipamentos de água, rede de esgoto, energia, mais recentemente com dutos de gás… O próprio ajuste com o tráfego, tentando produzir o menor impacto possível… Foi isso que levou o prazo a ser postergado”, argumenta Carvalho.

O superintendente explica que a execução dos projetos urbanísticos sempre exige pequenos ajustes, até por conta de todas as interferências citadas, mas garante que não houve alteração significativa.

Acompanhando o andamento da obra no seu cotidiano de trabalho, Antônio Neves, gerente de uma loja de material de construção da região, acredita que os transtornos são inevitáveis e torce para que acabem logo, mas não aposta na previsão oficial. “Pelo que estou vendo, não sei se termina antes de junho”, avalia.

Neves conta que ninguém na loja soube das audiências públicas para discussão do projeto, mas que quando viram o início da movimentação de máquinas, pesquisaram na internet. Ele lembra que no vídeo tudo parece que vai ficar lindo, mas não está vendo uma transformação tão grande na região.

De acordo com a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield, quatro audiências foram realizadas durante a elaboração do projeto, com posterior criação de um comitê de acompanhamento com integrantes da comunidade local. “A melhor forma de garantir que os projetos não alterem a identidade de cada local é fazendo o projeto participativo”, defende.

Tânia recorda que alguns ajustes foram feitos nesse projeto a partir dessa interação, como a redução da divisão entre as pistas no trecho que vai da saída da Rua Djalma Dutra ao Aquidabã para que fossem criadas áreas de estacionamento, como solicitado pelos comerciantes.

A presidente da Fundação responsável pelo projeto de requalificação credita o atraso nas obras ao extenso trabalho de macrodrenagem exigido no local. Ela explica que foi necessário fazer um revestimento no canal para que a água corra com maior velocidade, uma medida de combate aos alagamentos comuns na área.

Embora o tamponamento de canais tenha sido adotado em algumas requalificações anteriores, Tânia afirma que a proposta é evitar ao máximo esse procedimento. Ela afirma que foi preciso cobrir um trecho de cerca de 300 metros para que a ciclovia pudesse chegar até a Sete Portas, destacando que a mobilidade por bicicleta é muito importante naquela região.

Fase final

Entre os passos que ainda precisam ser realizados na obra, Carvalho destaca que em alguns pontos a calçada ainda não foi reformada, um trecho do canal ainda está por concluir e faltam alguns detalhes de iluminação, além da pavimentação da via.

Sobre a requalificação ainda não iniciada na Praça Dois Leões, localizada na entrada da Baixa de Quintas, Carvalho esclareceu que aquela obra tem interferência com o canal e por isso será feita na fase final do trabalho.

Posteriormente questionada sobre a ausência de pista tátil em vários trechos da nova calçada, a assessoria de imprensa da Sucop não deu retorno até o fechamento dessa reportagem.

Como área privada, a feira da Sete Portas não integra a requalificação da Rua Cônego Pereira. A feirante Maria Bonfim, 54 anos, compreende que não cabe à prefeitura fazer serviços no local, mas gostaria que as melhorias externas motivassem uma reforma interna, ao menos com a troca de piso.

Vivendo da sua banca de frutas há quase 40 anos, ela acredita que, após a conclusão das obras na via, a feira ficará mais visível para quem circula na área e também com acesso mais fácil. “Agora está meio ruim, mas é necessário se a gente quer que a cidade fique bonita”, pondera.

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