Tramita na Câmara de Vereadores um projeto (PL 170/2015), de autoria do líder da oposição, Luiz Carlos Suíca (PT), que poderá obrigar restaurantes e bares de Salvador a retirar o sal das mesas dos estabelecimentos. O vereador explica que a medida deve motivar a redução do consumo do sal – hoje, responsável pela morte de 7,6 milhões de pessoas em todo o mundo por AVC e infarto, decorrente de hipertensão. O edil também indica à prefeitura do município e ao Governador Rui Costa a realização de campanhas de reflexão sobre o tema na capital e em todo o estado. “O objetivo é que os estabelecimentos forneçam o sal apenas quando solicitado pelo consumidor. Além disso, os órgãos públicos devem assumir a responsabilidade de conscientizar a população sobre os danos que ingestão da substância pode causar à saúde”, defende.

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O projeto prevê também a inclusão do debate sobre o assunto no calendário oficial do estado e do município. Atualmente, a data de 26 de abril marca o ‘Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial’. Mas, de acordo com o vereador, “o tema ainda é pouco debatido na sociedade”. “Precisamos intensificar a prevenção de ocorrência dos quadros de hipertensão antes mesmo de o cidadão pensar em se alimentar, e então, o trabalho do poder público se inicia em ações de comunicação, através de campanhas educativas e eventos temáticos”, recomenda. O edil frisa ainda que a regulamentação obrigatória junto aos bares e restaurantes “foi exaustivamente analisada” até encaminhar o projeto para votação. “A iniciativa já é lei em outros estados. Infelizmente, precisamos de força normativa para que os donos de estabelecimentos ajudem no combate ao mal que afeta a saúde do cidadão”, avalia.

Quem sente a pressão do tema, ao falar de ‘sal’, é o professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, Sérgio Sobreira. Essa semana, ele desabafou em seu perfil de rede social no Facebook. “Eu não sabia que tratar hipertensão era tão complicado (…) uma loteria. Fui diagnosticado com hipertensão moderada há seis meses e iniciei o tratamento com uma medicação”, relata. Mas, Sobreira conta os transtornos que tem ao alternar constantemente o uso de fármacos até conseguir um que possa regular a pressão arterial de forma eficaz. “Não sabia que tratar hipertensão era uma loteria”, ironiza Sérgio. Revela que sempre buscou manter sua alimentação de modo saudável. Reconhece que, nos últimos meses, interrompeu suas atividades físicas por conta de outro problema ocasional de saúde, contudo, suspeita de ter ingerido o sal em excesso ao ‘fazer refeições’ fora de casa, nos bares e restaurantes que frequentou.

Com ampla trajetória por administração e marketing em órgãos públicos e empresas, Sérgio Sobreira é a favor do projeto e justifica. “A responsabilidade social deve estar incrementada à publicidade de informações dos produtos e serviços de uma empresa. Nesse caso, as informações nutricionais, inclusive sobre a concentração de sal, poderiam estar claras e expostas para os clientes, o que não ocorre”, frisa. Taxativo, ele conclui que “os baianos não sabem a quantidade de minerais que consomem e, portanto, a retirada do insumo nas mesas pode reduzir o estímulo ao desejo de sal”.

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