Por Rodrigo Daniel Silva

Presidente do Republicanos (ex-PRB) na Bahia, o deputado federal Marcio Marinho disse, na sexta-feira (6), que seu partido não vai abrir mão de indicar o candidato a vice-prefeito na chapa liderada por Bruno Reis (DEM) à prefeitura de Salvador. A declaração ocorreu após uma reunião da sigla, que teve, inclusive, a presença do pré-candidato a prefeito.

“Nós do Republicanos já declaramos o nosso apoio à Bruno Reis, no entanto não abrimos mão que o vice da futura chapa seja do nosso partido. Acredito que a união e a força do Republicanos junto ao DEM dará continuidade ao projeto de desenvolvimento da nossa capital baiana”, disse Marinho, por meio da assessoria de imprensa.

Estiveram presentes no encontro, além de Bruno Reis, o vice-presidente da legenda, o deputado federal João Roma, o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Junior, os deputados estaduais José de Arimateia e Jurailton Santos, além dos vereadores Luiz Carlos e Ireuda Silva.

Em 2016, o então PRB pressionou ACM Neto para indicar o vice-prefeito. Na época, a então presidente da sigla, Tia Eron, ameaçou até a romper com o grupo caso o componente da chapa não fosse João Roma. O prefeito soteropolitano, porém, conseguiu contornar a situação e o espaço acabou ficando com o MDB, que indicou Bruno Reis para a vice de Neto. Para manter o Republicanos, Neto cedeu mais espaço ao partido na gestão e duas secretarias hoje são comandadas pela legenda.

A pressão do Republicanos para indicar a vice ocorre após rumores de que o PDT hoje é favorito para compor a chapa de Bruno Reis. Para tentar atrair os pedetistas, que hoje integram o grupo do governador Rui Costa (PT), ACM Neto teria interesse de que a sigla indicasse o nome da composição. Para alcançar o objetivo, o prefeito soteropolitano, inclusive, autorizou o seu secretário municipal de Saúde, Leo Prates, a se filiar a legenda. Publicamente, Prates tem dito que é pré-candidato a prefeito de Salvador. Nos bastidores, o comentário, porém, é que a “chapa do coração” de Neto é Bruno-Prates, já que o três começaram juntos na política.

Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Neto admitiu que a sua intenção é de que os dois partidos façam um “trabalho conjunto” na capital baiana. “O Democratas é hoje um partido que tem condições de conversar com várias correntes ideológicas do país. Eu diria que, da centro-esquerda até a direita, nós temos diálogo com diversos partidos. O PDT é um deles. Talvez, a gente consiga produzir alianças em algumas capitais. Estamos falando aqui da candidatura do meu atual vice-prefeito Bruno Reis em Salvador. O PDT está trabalhando o nome do meu secretário de Saúde, que é o deputado estadual Leo Prates. A ideia é que a gente possa tentar fazer um trabalho conjunto. Em São Luiz do Maranhão, Fortaleza, nós estamos dialogando. E pode se de estender para outras cidades”, declarou.

O prefeito fez questão de ressaltar ainda que um acordo agora entre o DEM e o PDT não é sinal de aliança para a eleição de 2022. “Isso não significa dizer que automaticamente haverá um alinhamento entre Democratas e o PDT para o futuro. Por enquanto, o que está em discussão é a eleição municipal”, frisou. Em 2018, parte do Democratas (entre eles, Leo Prates) queria apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na corrida eleitoral, mas a legenda decidiu ficar ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB).

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