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Alvo da operação da Polícia Federal que investigou fraudes na Caixa Econômica Federal, o ex-presidente do PMDB-BA Geddel Vieira Lima também se envolveu em episódios polêmicos enquanto ocupava cargos nos governos de Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

Conhecido pelas declarações polêmicas, Geddel foi ministro da Secretaria de Governo na gestão de Temer entre maio e novembro do ano passado. No governo Dilma, foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica, entre 2011 e 2013, e, na gestão de Lula, ministro da Integração Nacional, de 2007 a 2010.

Nesta sexta (13), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em um imóvel de Geddel em Salvador (BA). A ação fez parte de uma operação Cui Bono, que apura um esquema de fraudes na liberação de empréstimos da Caixa a empresas entre 2011 e 2013, período em que Geddel Vieira Lima ocupou cargo no banco.

Segundo relatório da PF, o peemedebista, um dos principais conselheiros do presidente Michel Temer, atuava em “em prévio e harmônico ajuste” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para facilitar a liberação desses empréstimos em troca de propina.

Segundo a defesa do ex-ministro, “a malfadada operação decorre de ilações e meras suposições não comprovadas.” Os advogados disseram, também, “não há indicação pela Polícia ou MPF de qualquer fato/elemento concreto que pudesse representar corrupção ou lavagem de dinheiro, até porque tais atos jamais foram praticados por Geddel Vieira Lima”.

As polêmicas

Relembre abaixo as polêmicas envolvendo Geddel:

Crise com ministro da Cultura

O então ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima conversa com o então ministro da Cultura Marcelo Calero (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo)

O então ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima conversa com o então ministro da Cultura Marcelo Calero (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo)

Geddel pediu demissão da Secretaria de Governo em novembro do ano passado após uma crise com o então ministro da Cultura, Marcelo Calero.

Ao deixar o cargo, Calero acusou Geddel de pressioná-lo a liberar a construção de um prédio em Salvador, no qual Geddel tem um apartamento, que havia sido barrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – o Iphan é subordinado ao Ministério da Cultura.

Calero prestou depoimento à Polícia Federal e disse que, durante uma audiência no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer o “enquadrou” para que encontrasse uma “saída” para que fosse autorizada a continuidade da obra (veja o que a Presidência falou sobre o assunto à época).

Diante da crise em torno do assunto, Geddel pediu demissão uma semana após Calero acusá-lo de pressão. O ex-ministro, contudo, sempre negou tê-lo pressionado.

Pedido de exoneração pelo Twitter

Mensagem publicada por Geddel em 2013 na qual pediu demissão pelo Twitter (Foto: Reprodução)Mensagem publicada por Geddel em 2013 na qual pediu demissão pelo Twitter (Foto: Reprodução)

Mensagem publicada por Geddel em 2013 na qual pediu demissão pelo Twitter (Foto: Reprodução)

Em dezembro de 2013, quando era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel pediu à então presidente Dilma Rousseff que o exonerasse do cargo em uma mensagem publicada no microblog Twitter.

“Cara Presidenta Dilma, por gentileza, determine publicação minha exoneração função q ocupo, e cujo pedido já se encontra nas mãos de V Excia”, escreveu Geddel à época.

Na ocasião, ele argumentou que queria sair da Caixa para apoiar, no ano seguinte, algum candidato que fizesse oposição ao governo de Jaques Wagner (PT) na Bahia.

Recursos da Integração Nacional

Durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Geddel Vieira Lima comandou o Ministério da Integração Nacional.

Em 2010, último ano de governo, a ONG Contas Abertas divulgou um levantamento segundo o qual Geddel destinou 48% dos recursos da pasta para prevenção de desastres naturais à Bahia, estado do então ministro.

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