A rede de hotéis Othon divulgou nesta terça-feira (27) que entrou com um pedido de recuperação judicial para conseguir pagar os credores após o fechamento de duas unidades: o Bahia Othon Palace, em Salvador, e o Belo Horizonte Othon Palace, na capital mineira.

Em nota, a empresa afirmou que o pedido de recuperação judicial visa “equacionar os compromissos com os credores”. Com a medida, a rede recorre ao Poder Judiciário suspender por 180 dias o pagamento de cobranças via justiça. No período, o funcionamento do negócio é mantido e é possível gerar caixa para a empresa.

Com 284 apartamentos, o Othon era o maior hotel em atividade de Salvador. Fundado em 1975, seu fechamento acontece quase três anos após o encerramento do Hotel Pestana – primeiro cinco estrelas de Salvador, inaugurado como Le Méridien, em 1974. Um dos mais tradicionais hotéis de Salvador fechou as portas em 18 de outubro – 184 funcionários foram demitidos. Ao todo, trabalhavam na filial baiana da rede carioca cerca de 240 pessoas, incluindo terceirizados.

Reprodução de comunicado divulgado pela rede de hotéis carioca. Clique para ampliar (Foto: Reprodução)

Segundo o comunicado da rede, a empresa tentou evitar a medida, assim como o fechamento das duas unidades, “promovendo uma importante reestruturação interna nos últimos quatro anos”. Mas, ainda segundo a empresa, o cenário econômico de “profunda retração no país” este ano não permitiu a retomada do crescimento do setor de turismo.

A rede de hotéis reforça que a decisão de fechar as portas das unidades em Salvador e Beo Horizonte aconteceu após “o máximo de tentativas para evitar o acontecimento”, mas a crise hoteleira que assola o setor desde 2015 foi mais forte.  A empresa mantém a continuidade das operações no Rio de Janeiro e em outras oito cidades: São Paulo, Araraquara, São Carlos, Matão, Fortaleza, Natal, Recife e Macaé.

“Tentamos evitar ao máximo o fechamento destas unidades, promovendo uma série de ajustes e uma importante reestruturação interna nos últimos quatro anos. Tínhamos esperança de assim ganhar fôlego financeiro para mantê-las em pleno funcionamento, mas o cenário econômico de profunda retração, este ano, não permitiu a retomada do crescimento do setor, infelizmente”, diz a diretoria da Rede.

‘Jogo limpo’
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis (Sindhoteis), Almir Pereira teve uma reunião com a diretoria do Othon na segunda-feira (26) e 40 funcionários tiveram as demissões homologadas. Ainda segundo o presidente do sindicato, a empresa “jogou limpo com os trabalhadores e expôs toda a situação que estão enfrentando, mas ao que tudo indica eles [os patrões] vão honrar todos os compromissos e pagar as rescisões de todo o mundo”.

Por telefone, Almir Pereira contou que o Othon alegou dificuldades para conseguir aprovar o financiamento que vai pagar os trabalhadores demitidos. Ele explica que por existir muitos funcionários antigos no Hotel, os custos são elevados com despesas relativas a FGTS e outros direitos dos trabalhadores, por exemplo. O prazo de pagamento desses primeiro 40 trabalhadores homologados é na quinta-feira (29). Fora as diversas demissões, o trade turístico estima que 50 áreas sejam afetadas diretamente com o fechamento do hotel em Salvador.

“Gigante do turismo”
Quando nasceu, em 1975, o Othon foi oriundo de um plano para aquecer o turismo da capital baiana. “Naquela região [de Ondina], foram instalados vários hotéis. Era um plano de turismo para Salvador. Se aproveitou o fato de estar à beira mar para explorar o local. O Othon chegou a ser o hotel mais importante, um gigante do turismo, e uma das principais características dele foi ter fomentado indiretamente no turismo de negócio. Ele acabou se especializando em evento e em negócio”, explicou Nelson Cadena, jornalista, pesquisador e colunista.

Cadena explicou que, mesmo nos tempos áureos do Centro de Convenções da Bahia (CCB) – que sofreu um desabamento parcial em setembro de 2016 -, o Othon conseguia atrair eventos e alcançar ocupação máxima.

“O hotel foi muito importante. Teve vários eventos internacionais, vários presidentes se hospedaram ali, inclusive”, contou Cadena.

Resultados insatisfatórios
No balanço do terceiro trimestre deste ano, a rede Othon justificou o fechamento das unidades de Salvador e de Belo Horizonte como uma tentativa de “melhor enfrentar os efeitos negativos da crise que já dura alguns anos”.

“Tradicionais e muito conhecidos nas regiões em que atuavam, estas unidades já tiveram seu tempo de glória. Mas atualmente, devido ao cenário de redução econômica dos últimos anos, com consequente queda nas taxas de ocupação, estas unidades deixaram apresentar resultados satisfatórios para a Empresa”, escreveu a administração em uma mensagem.

Além do fechamento de unidades, o Othon afirmou estar em uma estratégia de redução de custos e despesas que inclui a demissão de pessoas das funções operacionais, administrativas e de “backoffice”.

“Apesar de encerrar as atividades em três de suas unidades este ano, a rede mantém sua estratégia de crescer via novas parcerias com investidores interessados em ter a marca forte ‘Othon’ administrando suas unidades. O intuito é crescer para o interior de grandes estados e regiões promissoras, com grande potencial de fluxo de turistas e hóspedes corporativos ou a lazer, tais como São Paulo, região Nordeste, Sul e Centro Oeste e, e principalmente no estado de Minas Gerais”, escreveu o grupo sobre sua estratégia.

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