Praticamente curada, repousando com o marido e a cachorra de estimação em sua casa no bairro de São Conrado, no Rio, Preta Gil diz ter passado por um “renascimento” após permanecer 16 dias confinada em um apart-hotel em São Paulo com coronavírus. Nesse período difícil, ela experimentou um conjunto de dores e uma sensação de isolamento que nunca havia sentido, que lhe renderam um olhar mais sereno sobre a vida e a pandemia que já matou mais de 39 mil pessoas no planeta. Mas nada disso apagará o que passou.

“Os sintomas são todos ruins. Você pensa isoladamente. Dor de cabeça, corpo, ouvido, cansaço. Junta isso e vira uma espécie de bomba. E você acamada. Eu não conseguia me mexer de tanta dor que eu sentia. Nas juntas, no ouvido. Uma dor de cabeça que não me deixava abria o olho”, diz Preta, uma das primeiras personalidades brasileiras a divulgar que havia contraído a Covid-19. Apesar de não ter apresentado febre em nenhum momento, ela ainda tem dores de ouvido e problemas de olfato e paladar, que, segundo os médicos, devem ir embora em breve.

A cantora pegou o vírus após se apresentar no casamento da irmã da influenciadora Gabriela Pugliesi, no último dia 7 de março, na Bahia, evento durante o qual teria cumprimentado e conversado com convidados. Vários contraíram o vírus ali. Confinados pós-diagnóstico, o marido e a maquiadora de Preta Gil, que não tiveram Covid-19, precisaram ficar em cômodos separados, com comida, água e medicamentos deixados na porta do quarto, para evitar contaminação. Hóspedes chegaram a reclamar da presença dela no local.

O “jeito Preta Gil” de lidar com o temor da morte? Muita reza para santos e orixás, ligações diárias para a família, incluindo a neta, o filho e o pai, Gilberto Gil, e, o que ela julga mais importante, recomendações médicas seguidas à risca. “Mesmo tendo acesso aos melhores médicos do Brasil, eu me pegava o tempo inteiro com dúvidas. Se eu tirasse todas as minhas dúvidas, eu ia passar 24 horas do dia falando com eles”, lembra Preta, que compara quem pede o fim da quarentena, contrariando órgãos internacionais como a OMS (Organização Mundial da Saúde), a outros vírus.

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