A Comissão Eleitoral Central do Quirguistão anunciou nesta terça-feira (6) a anulação do resultado das eleições legislativas de domingo, nas quais os partidos favoráveis ao presidente foram os grandes vencedores.

Nos últimos dois dias houve protestos que deixaram ao menos um morto no país da Ásia central.

O anúncio da comissão, publicado na internet, foi o seguinte: “Os resultados das eleições legislativas que aconteceram em 4 de outubro de 2020 foram invalidados”.
Mapa mostra a localização do Quiguistão e os países vizinhos — Foto:  G1

Mapa mostra a localização do Quiguistão e os países vizinhos

Protestos no Quirguistão

Manifestação na cidade de Bisqueque, a capital do Quirgistão, contra as eleições parlamentares de 2020 — Foto: Vladimir Pirogov/Reuters

Manifestação na cidade de Bisqueque, a capital do Quirgistão, contra as eleições parlamentares de 2020 — Foto: Vladimir Pirogov/Reuters

Antes do anúncio, manifestantes antigovernamentais invadiram o edifício do Parlamento e o prédio da presidência, em Bisqueque, reportaram vários meios de comunicação.

Fotos publicadas pelo serviço quirguiz da Rádio Free Europe mostram manifestantes caminhando pela sede principal do governo do Quirguistão. Outros veículos locais também reportaram a tomada do edifício.

Os manifestantes contrários ao governo teriam libertado da prisão o ex-presidente Almazbek Atambayev, informou à AFP um de seus defensores, o ativista Adil Turdukuov, que assegura ter presenciado a soltura.

Os ativistas ocuparam as instalações do Comitê de Segurança Nacional, onde Atambayev estava preso, libertaram o ex-chefe de Estado “sem fazer uso da força, nem de armas” e sem enfrentar resistência dos guardas, disse Turdukuov.

Os resultados iniciais das eleições de domingo apontavam que dois partidos governistas iriam dominar o Parlamento. Há relatos de compra de votos.

Um político da oposição se autonomeou o procurador geral e sugeriu que os resultados devessem ser anulados, de acordo com a mídia local.

Os textos dos jornais afirmam que 12 partidos assinaram um documento que exigia que as autoridades cancelassem as eleições do domingo e convocassem uma nova votação.

Um órgão de observação, a Organização para Segurança e Cooperação na Europa afirmou em um relatório que os direitos fundamentais e as liberdades foram respeitadas nas eleições, mas que existem alegações críveis de compra de voto.

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