As declarações do governo Rui Costa (PT) na manhã da última segunda-feira, 31, sobre a realização da Copa América no Brasil desagradaram lideranças do Partido dos Trabalhadores. A informação é de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Para alguns caciques do partido, Rui errou ao não se aliar à posição do PT de criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela realização da competição internacional.

Questionado por jornalistas durante entrega de uma maternidade em Salvador, o chefe do Executivo afirmou que não haveria possibilidade de “flexibilizar regras” na Bahia para que o estado se tornasse uma das sedes dos jogos, mas “seguiremos o mesmo padrão em relação ao futebol. Não será permitido público. Se a exigência é ter público, aqui na Bahia não terá”, disse o governador na primeira manifestação sobre a notícia da realização do torneio, após Colômbia e Argentina cancelarem a realização do evento nos dois países.

Para membros do partido, do ponto de vista prático, o estado não ganharia nada como sede de jogos, a não ser aglomerações desautorizadas ao redor da Arena Fonte Nova, na capital baiana.

No final da tarde da segunda, o governador emitiu nova mensagem, via Twitter, e afirmou que “o Brasil precisa de mais vacinas e não de Copa América”. “Não é responsável termos mais uma competição quando nos aproximamos da marca de 500 mil mortes pela Covid-19. A agilidade que o Governo Federal teve para dizer sim à Copa América precisa ser aplicada à compra de vacinas”, escreveu.

Em seguida, o líder baiano foi à TV e em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, afirmou que a Bahia não iria realizar os jogos. “O estádio [Arena Fonte Nova] inclusive, em função da pandemia, está provisoriamente ocupado com leitos de UTI. Portanto, aqui não Bahia não poderão ocorrer jogos em função do uso do estádio”, declarou em cadeia nacional.

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) foi o primeiro a vetar a realização de partidas em todo o estado por conta da covid-19. O comunicado oficial foi divulgado na tarde de segunda e afirmou que mesmo ainda sem ter sido procurado oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), “o atual cenário epidemiológico não permite a realização de evento do porte no território”.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também condicionou inicialmente a realização da competição no estado se a CBF garantisse partidas sem torcida, com uso obrigatório de máscaras das seleções e testagem de todos os jogadores e comissão técnica periodicamente, como os campeonatos locais paulistas.

Horas depois, Dória voltou atrás e solicitou ao secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que buscasse alternativas para a realização da Copa América fora de São Paulo. “Os cientistas apontaram que neste momento a realização do torneio representaria uma má sinalização de arrefecimento no controle da transmissão do coronavírus, prioridade absoluta do Governo do Estado”, declarou em nota a gestão paulista.

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