Cerca de 300 mil pessoas vão a óbito no Brasil, anualmente, por morte súbita decorrente de arritmia cardíaca, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (Cardiol). Tramita na Câmara de Salvador um projeto (PIN nº. 182/2015), de autoria do vereador Luiz Carlos Suíca (PT), que indica ao Governador Rui Costa o incentivo do uso de desfibrilador em locais públicos e privados com fluxo freqüente de, pelo menos, 50 pessoas. “A proposta é que o Estado possa, em breve, regulamentar a obrigatoriedade da disposição do equipamento para situações emergenciais e, assim, evitar que esses números aumentem na Bahia”, explica o edil. O tema também foi debatido no Congresso Baiano de Cardiologia realizado no último mês de maio, em Salvador.

O coordenador e médico cardiologista da unidade coronária do Hospital Português de Salvador e membro da Cardiol, Marcos Barojas apóia o projeto. “Ações como esta podem dinamizar o caso como fator de ordem pública, hoje ainda alarmante em Salvador e em todo o estado”, defende. O especialista explica que, a cada minuto perdido nas situações emergenciais, as chances de sobrevivência diminuem em até 10%, e, portanto, em 10 minutos, caso uma pessoa não seja socorrida adequadamente, poderá ir a óbito. “O único método capaz de salvar um indivíduo nestas circunstâncias é usando o desfribilador”, destaca. Mas, Barojas adverte que “não basta apenas disponibilizar o equipamento, é preciso qualificar a população para lidar nestas circunstâncias e, além disso, mobilizar instituições para que possam atuar em parceria, no intuito de tornar o projeto ainda mais efetivo”.

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O chefe do setor médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Região Metropolitana, Antônio Fernando Costa, além defender o trabalho no acolhimento de cidadãos em situações emergenciais, apresentou projetos de caráter preventivo do órgão na capital baiana. De acordo com Costa, desde o ano de 2008, o Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Samu tem feito palestras na rede pública municipal de ensino, orientando alunos a usar o equipamento e prestar os primeiros socorros. Também citou o ‘Viva Coração’, que é um projeto do Samu com objetivo de aparelhar com Desfribilador Automático Externo (DEA) locais de fluxo intenso de pessoas. O Sub Coordenador de Equipes Especiais do Samu Metropolitano, Oswaldo Bastos sugeriu a possibilidade de apoio da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para alavancar maiores ações e confirmou reunião com o vereador Suíca para discutir a indicação de lei. “Podemos emitir um parecer sobre o projeto do vereador endossando pedido à Sesab para estendermos ações efetivas ao estado”, garantiu.

Em outubro de 2013, Dr. Saulo Barreto viveu uma experiência salvadora. O médico fazia ronda com o carro da unidade (nº 10) do Samu pelo Dique do Tororó, em Salvador, quando foi surpreendido ao constatar que o cidadão U.S.P ‘passava mal’. “Imediatamente, socorremos o paciente nos primeiros cinco minutos, com o desfibrilador, e ele voltou à vida”, se emociona o médico, que hoje é amigo da família.

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