collor e mulher

A Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra Caroline Serejo Medeiros Collor de Mello, mulher do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), também por suposta ligação com o esquema de corrupção da Petrobras.

O Ministério Público Federal aponta que há indícios de que dinheiro depositado em espécie nas contas de uma empresa de TV ligada a Collor foi transferido para a conta do senador e de sua mulher para tentar mascarar a origem ilícita dos recursos.

Caroline também é sócia-administradora da Água Branca Participações Ltda, que mantém em sociedade com o marido. A empresa, que é proprietária de quatro carros de luxos, não tem funcionários nem atividade, segundo os investigadores da Lava Jato. O senador assegura que a empresa tem atividade normal.

A Folha mostrou no ano passado que um laudo da Polícia Federal aponta que os veículos, que chegaram a ser apreendidos nos desdobramentos da Lava Jato e foram acabaram devolvidos pelo STF ao senador, foram pagos em parte com recursos com indícios de propina, associados a repasses do doleiro Alberto Youssef,

Os quatro carros citados no laudo custaram R$ 6,2 milhões. A coleção é composta de uma Lamborghini Aventador (R$ 3,2 milhões), uma Ferrari 458 (R$ 1,45 milhão), um Bentley Flying (R$ 975 mil) e um jipe Range Rover (R$ 570 mil). O laudo da PF cobre o período que vai de janeiro de 2011 e abril de 2014, no qual o ex-presidente recebeu R$ 12,4 milhões.

INQUÉRITOS

Collor é alvo de cinco inquéritos que foram abertos pelo relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, que atendeu a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um dos inquéritos foi aberto para tramitar a denúncia oferecida pela Procuradoria ao STF contra o senador, na qual ele é acusado de ter recebido R$ 26 milhões em suborno durante cinco anos em negócios relacionados à BR Distribuidora.

Com o aditamento da denúncia envolvendo Caroline, os advogados devem ganhar novo prazo para a apresentação de defesa. Na sequência, a segunda turma do STF, responável pelos casos da Lava Jato, vai decidir se recebe ou não a denúncia.

Uma das linhas de apuração é se houve evasão de divisas com o envio e recursos e repasses para o exterior de quantia oriunda dos crimes de corrupção passiva, por meio da empresa de Leonardo Meirelles, sediada em Hong Kong, crimes de corrupção supostamente cometida em relação a outros contratos ligados a Petrobras e crime de lavagem de dinheiro por meio de compra de imóvel e aquisição de veículo Rolls-Royce.

O senador já foi denunciado ao STF por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro e diz “respeito ao funcionamento de uma organização criminosa relacionada à BR Distribuidora, voltada principalmente ao desvio de recursos em provimento particular, à corrupção de agentes públicos e à lavagem, de dinheiro”.

Na denúncia, o Ministério Público aponta nove condutas criminosas ao senador, entre eles, forjar empréstimos fictícios supostamente tomados por ele e sua esposa da TV Gazeta a fim de justificar aquisição de bens pessoais de luxo com valores oriundos do crime e encaminhar a agência bancária pedido de estorno de crédito relativos a depósitos em dinheiro em sua conta pessoal, com o objetivo de se desvincular dessas operações e evitar a instauração de investigação sobre os fatos.

A Folha não localizou a defesa de Caroline para comentar o pedido da PGR. O senador tem dito tem dito que jamais “manteve qualquer relacionamento com o delator Alberto Youssef, conforme reconhecido pelo próprio doleiro na miríade de suas delações”. Como nunca tiveram negócios, segundo o ex-presidente, não havia razões para Youssef fazer depósitos em sua conta.

Sobre os depósitos em dinheiro feitos em contas dele e de suas empresas, Collor diz por meio de sua assessoria”não tem qualquer responsabilidade sobre o modo utilizado por terceiras pessoas para o depósito de valores em sua conta corrente”.

Ele afirma não ter determinado o depósito em valores fracionados, “método que, aliás, protege apenas o depositante e não o beneficiário, na medida em que os valores são creditados em conta de sua titularidade”.
O senador afirma também que não participa da gestão nem do cotidiano da TV Gazeta e “Gazeta de Alagoas”.

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