Ainda que não seja um medicamento recomendado para prevenção contra o coronavírus, a hidroxicloroquina segue com alta procura. Em Feira de Santana, as vendas do medicamento em uma farmácia no bairro do Sobradinho saltaram de 45 caixas por mês para 160: aumento de 355% na procura.

“Houve acréscimo de demanda, o pessoal comprava. Houve relatos de colegas de que o pessoal comprava até onze caixas para estocar em casa com a falsa ideia de que poderia prevenir a infecção pelo Covid-19”, diz a farmacêutica Rafaela Dantas.

A hidroxicloroquina é usada em tratamento contra malária. Também é indicada para pessoas que tenham doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso. Este é o caso da dona de casa Jailda Guimarães.

“[Se não usar] Vai haver complicações, inclusive problemas nas minhas articulações, que começam inchar. Dá fadiga, dor de cabeça. Por ocasionar até febre”, diz Jailda.

Pesquisadores alertam, porém, que não está comprovada a eficácia do medicamento no tratamento e no combate ao coronavírus e que a ingestão indevida e sem acompanhamento pode acarretar em problemas de saúde. O uso de hidroxicloroquina contra a Covid-19 está em estágio experimental em pacientes que estejam em estado muito grave.

Apesar de todas orientações, houve aumento da demanda em farmácias pela hidroxicloroquina, e os pacientes que fazem uso contínuo têm dificuldade em encontrar o remédio. A Anvisa determinou, então, que o medicamento passe a ser considerado um produto controlado e que seja necessária a apresentação de receita para a compra.

“O objetivo da Anvisa é realmente para que essas pessoas que fazem acompanhamento médico, que têm lúpus, que não falte medicamento para essas pessoas”, continua Rafaela.

Ajuda do governo

No dia 23 de março, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que vai garantir o acesso gratuito aos medicamentos com a substância hidroxicloroquina para todos os pacientes que tiverem exames ou receitas médicas que comprovem a necessidade do uso. A medida é válida até para quem não esteja cadastrado no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Sesab esclarece que apenas quem tem diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, lúpus cutâneo, artrite reumatoide, dermatomiosite e polimiosite pode solicitar o medicamento. Veja aqui o que é preciso para fazer o pedido.

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