O homem apontado como o proprietário de uma empresa de venda de armas e munições, em Salvador, alvo de operação do Ministério Público pelos crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, foi preso nesta quarta-feira (27). A informação foi divulgada durante uma entrevista coletiva no Ministério Público Estadual (MP-BA), no Centro de Administração da Bahia (CAB), em Salvador.

A prisão ocorreu durante operação realizada nesta manhã, que também cumpriu sete mandados de busca e apreensão.

Segundo Naiara Brito, delegada que pertence à Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), a prisão ocorreu para evitar que o preso ocultasse provas.

O dono da empresa, que funciona no bairro do Rio Vermelho, foi preso quando estava na casa da família, no Horto Florestal, região nobre da cidade.

“Foi por meio de monitoração. Principalmente, por levamento, quando ficou verificado uma forte movimentação intensa de funcionários, do próprio investigado, fora do horário comercial. Eles entravam e saíam das lojas, com mochila, malas, tudo isso demonstrou que ele ocultaria provas”, disse.

Conforme o MP-BA, a empresa do suspeito é acusada de dever R$ 50,12 milhões aos cofres públicos, valor que se refere apenas às operações registradas pelos sistemas da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e não refletem o valor total devido, porque as saídas de mercadorias se davam através de notas fiscais emitidas manualmente, fora do controle eletrônico da fiscalização

De acordo com Hugo Santana, promotor do MP-BA, em um intervalo de cinco anos, a empresa deixou de informar um montante de R$ 20 milhões.

“O esquema era aquisição de armas e munições sem o devido pagamento da antecipação parcial. Nos quatro ou cinco anos, circularam mais de R$ 27 milhões em mercadorias, dos quais só R$ 7 milhões em registro de saída por nota fiscal. Nisso aí, nós tínhamos a diferença de comercialização em 20 milhões de mercadoria”, disse o promotor.

Ainda de acordo com o promotor, a mãe e a irmã do proprietário da empresa também são investigadas por participação no esquema.

“Elas já estão sendo investigadas, porque ficou constatado que ambas participavam da ação de lavagem de dinheiro, produto desse crime. A mãe dele, além da lavagem de dinheiro, ofereceu o nome para a constituição da empresa”, disse o promotor.

“A empresa principal, a que comercializa o produto, estava no nome dele, mas ele já havia constituído uma segunda empresa no nome da mãe dele, que não tem capacidade econômica para receber as cotas, e ela simplesmente se limitava a oferecer o CPF para a constituição da empresa e oferecer a conta bancária para os pagamentos para aquisição de armas pelos clientes. Os clientes sequer poderiam fazer o pagamento à empresa, justamente para se esquivar da atuação do fisco. O depósito era feito em conta bancária de pessoa física. Eles não tinham boleto, nem pagamento por cartão de crédito, apenas por boleto”, explicou Hugo.

Denominada como “Enyo”, a operação ocorreu em Salvador na manhã desta quarta. Os, sete mandados de buscas e apreensão foram cumpridos nos bairros de Jardim Armação, Horto Florestal e em quatros salas do Rio Vermelho (uma no nome do homem preso, onde funcionava a empresa, e outras três nos nomes da mãe e da irmã dele).

A operação contou com ação do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica, as Relações de Consumo e a Economia Popular (Gaesf), a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz), e a Polícia Civil.

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