Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não tenha estipulado a data exata para o aumento da gasolina em todo território nacional – como havia sido confirmado pelo próprio ministro há quase uma semana –, os postos aumentaram cerca de 3%, o preço da gasolina, nos últimos dois dias. Assim, alguns motoristas de Salvador já se mostram preocupados, já que o reajuste oficial ainda será anunciado pelo Governo Federal.

Desde a segunda-feira, algumas redes de postos de combustíveis têm modificado o preço da gasolina comum e da aditivada, em aproximadamente R$ 0,10. Enquanto a rede BR a gasolina comum passou de R$ 3,09 para a R$ 3,19, o combustível aditivado passou de R$ 3,12 para R$ 3,25. Já a gasolina comum da rede Menor Preço, que estava de R$ 3,05, estava custando R$ 3,14 na manhã de ontem, conforme registro feito pela reportagem.

Alguns condutores que têm se queixado, pois há menos de quinze dias estavam pagando, em média, R$ 2,80 pela gasolina comum, e agora, não conseguem achar postos em preços menores que R$ 3,04. Dessa forma, cidadãos que utilizam seus carros particulares no dia a dia terão que se reprogramar financeiramente.

O administrador de empresas, Roberto Almeida, relata que sentiu o encarecimento do combustível, nas últimas duas semanas. A gasolina aditivada que antes ele consumia em um valor médio de R$ 2,70, agora está custando em média, R$ 3,25, culminando em um aumento de 20%. “Mesmo assim, continuei abastecendo no mesmo posto, pois é aquele no qual mais confio pela qualidade do combustível”, explicou ele, que abastece o carro em um posto da rede BR, na Avenida Tancredo Neves.

Outro condutor que expressou insatisfação foi Thiago Alves, que trabalha com o transporte de móveis. “Normalmente abasteço em postos da região do Largo do Tanque, e mesmo que eles sejam mais em conta do que esses estabelecimentos da área nobre, agora pago R$ 3,05, em postos que antes me cobravam em média, R$ 2,65. O problema é que, no momento, não posso repassar isso ao meu serviço, pois é um mercado competitivo, e poderia perder clientes”, afirmou ele.

Um caso parecido é destacado pelo motorista Enivaldo Cairo, que não tem sentido o peso do aumento no bolso, pois o veículo utilizado no seu serviço roda a diesel. Mas em relação ao carro particular – que só roda a gasolina comum –, a alternativa que restou para ele foi fazer a pesquisa básica pelos postos com preços mais acessíveis.

De acordo com o economista e especialista em administração financeira, Antônio Britto, o encarecimento recente tem um viés mais mercadológico, e faria parte do reajuste no custeio dos postos de combustível, o que é permitido na lei, pois os estabelecimentos têm flexibilidade para definir seus respectivos preços.

“O que pode ter havido é a chamada inflação psicológica, na qual o proprietário de um estabelecimento comercial antecipa um aumento para que, quando for comprar a gasolina de seus fornecedores futuramente, poder fazê-lo com mais segurança, sem ter que tirar este valor a mais do próprio bolso”, explicou o economista, que descarta a possibilidade do processo eleitoral ter influenciado no encarecimento.

Britto recomenda que o consumidor faça a pesquisa e opte pelos postos que atendam melhor suas necessidades financeiras. “Como esse aumento não passa de uma especulação do mercado, cabe aos condutores buscar os postos com as melhores condições de pagamento”.

Em contato com o presidente do Sindicato do Comércio de Combustíveis, Energias Alternativas e Lojas de Conveniência do Estado da Bahia, José Augusto Costa, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno.

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