Por Rodrigo Daniel Silva

Embora seja aliado do pré-candidato a prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), o secretário Leo Prates (PDT), que também é pré-postulante ao Palácio Thomé de Souza, disse, ontem, que aceita o desafio de enfrentar o correligionário em um debate. O prefeito ACM Neto (DEM) lançou, no início deste ano, Bruno como o seu candidato ao Executivo soteropolitano, mas Prates mantém a esperança de aparecer melhor nas pesquisas e virar o nome do grupo para disputar as eleições.

“Topo (o desafio). Esse é um debate de alto nível sobre as problemáticas da cidade, (aceito) com muita tranquilidade. E vou ganhar dele (Bruno Reis) na eleição”, declarou Prates, em entrevista à rádio Metrópole. “O meu desejo é que o povo grite, que a nossa pré-candidatura encante o povo de Salvador. Esse grito da população de Salvador não deixará de ser escutado pelo prefeito ACM Neto. (…) Tenho o direito de testar o meu nome, de conversar com o cidadão de Salvador. Se eu sozinho com meu chinelinho aparecer na frente das pesquisas, eu tenho certeza que serei o candidato de todos. A minha pré-candidatura não é contra ninguém. É a favor de Salvador”, acrescentou.

O secretário de Saúde afirmou, ainda, que não há nenhum ressentimento por ACM Neto ter optado por Bruno Reis. “Não, de maneira nenhuma. Alma leve, coração limpo. Aprendi, com o próprio prefeito, que todas as pessoas têm seu o direito de escolha”, ressaltou. “Eu vejo com naturalidade (a escolha por Bruno Reis). Tenho estado com ele (o vice-prefeito) sempre. Tenho um carinho especial. Neto disse isso na convenção do Democratas, que eu, ele e Bruno começamos o projeto junto. Então, tenho muito respeito por ele e é direito dele colocar o nome dele assim como eu também”, emendou.

Nos bastidores, o comentário é de que Neto sonha em ter Leo Prates como vice de Bruno Reis. Segundo aliados, é a “chapa do coração” do prefeito, já que os três começaram na vida pública juntos. Presidente do PDT na Bahia, o deputado federal Félix Mendonça Júnior tem descartado essa hipótese. “Não tem conversa sobre ser vice”, frisou. “O PDT é o único partido que não quer ser vice. E todos colocam como o vice ideal. Se nós somos o vice ideal, também podemos ser a cabeça ideal”, acrescentou.

Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Neto admitiu que a sua intenção é de que os dois partidos façam um “trabalho conjunto” na capital baiana. “O Democratas é hoje um partido que tem condições de conversar com várias correntes ideológicas do país. Eu diria que, da centro-esquerda até a direita, nós temos diálogo com diversos partidos. O PDT é um deles. Talvez, a gente consiga produzir alianças em algumas capitais. Estamos falando aqui da candidatura do meu atual vice-prefeito Bruno Reis em Salvador. O PDT está trabalhando o nome do meu secretário de Saúde, que é o deputado estadual Leo Prates. A ideia é que a gente possa tentar fazer um trabalho conjunto. Em São Luiz do Maranhão, Fortaleza, nós estamos dialogando. E pode se de estender para outras cidades”, declarou.

O prefeito fez questão de ressaltar ainda que um acordo agora entre o DEM e o PDT não é sinal de aliança para a eleição de 2022. “Isso não significa dizer que automaticamente haverá um alinhamento entre Democratas e o PDT para o futuro. Por enquanto, o que está em discussão é a eleição municipal”, frisou. Em 2018, parte do Democratas (entre eles, Leo Prates) queria apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na corrida eleitoral, mas a legenda decidiu ficar ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB).

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