A notícia da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Patriotas, com indicação da chegada do presidente Jair Bolsonaro, que está sem partido desde a saída do PSL, também gerou cisões entre os filiados do partido na Bahia.

A legenda era presidida por Alexandre Marques, atual secretário de Meio Ambiente, Saneamento e Recursos Hídricos de Lauro de Freitas, cidade administrada por uma prefeita do PT.

Todo o diretório estadual foi destituído pelo presidente nacional da sigla, Adilson Barroso. Membros da legenda acusam o dirigente nacional de ter cometido uma série de irregularidades na mudança do estatuto para obter maioria e favorecer a entrada da família Bolsonaro e seu grupo. No último domingo, 30, nove integrantes da nacional pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender as medidas adotadas por Barroso. O ministro Edson Fachin, que ficou com a ação, deve se manifestar nos próximos dias.

Em Salvador, a legenda garantiu três cadeiras na Câmara Municipal nas eleições de 2020: Roberta Caires, Sandro Bahiense e Daniel Rios, substituído por Átila do Congo em fevereiro deste ano com o seu falecimento.

Logo após a confirmação da filiação do filho do presidente, o vereador Átila do Congo subiu na tribuna da Câmara para anunciar a sua desfiliação do partido e chamar Bolsonaro de “miliciano e genocida”.

“Não posso admitir permanecer na mesma sigla desse irresponsável. (…) Agora quer trazer a Copa América para matar mais, porque não tem vacina suficiente. São 28 mil trabalhadores autônomos rodando carro por Salvador e estão de cara com a doença”, criticou Átila, que é presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos da Bahia.

Líder do Patriota na Câmara de Salvador, Sandro Bahiense, saiu em defesa do presidente nacional do partido. “Parabenizo o presidente nacional do meu partido Adilson Barroso pela eleição exemplar e democrática ocorrida na cidade de Barrinha, em São Paulo”, disse o edil, também em discurso na tribuna. A vereadora Roberta Caires ainda não se manifestou.

Nas eleições de 2018, o partido não coligou com nenhuma legenda. Elegeu apenas um deputado estadual, Pastor Tom, que foi cassado e deu lugar a outro patriota, o deputado Josafá Marinho, única representação do partido em nível estadual. Já no pleito de 2020, o Patriotas não elegeu nenhum prefeito na Bahia.

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