Por Marcelo Testoni

Antes de responder a pergunta é preciso explicar que nem todo suor é igual e nem todas as pessoas suam igualmente. Os homens, por exemplo, suam mais do que as mulheres e quando se é jovem mais ainda. Além disso, diversos fatores podem alterar o volume e a composição do suor, que é individual, como as impressões digitais. Genética, idade, doenças, efeito colateral de medicamentos ou cirurgias, emoções, uso de vitaminas e alimentação são alguns deles.

Em comum, nós, seres humanos, só compartilhamos mesmo o fato de termos dois tipos de glândulas sudoríparas, mas que também apresentam suas particularidades. São elas as glândulas écrinas, espalhadas aos milhões por toda a superfície do corpo, ajudando na regulação da temperatura, e as glândulas apócrinas, localizadas principalmente nas axilas, aréolas mamárias e regiões genital e perianal.

“As responsáveis pelas manchas amareladas nas roupas são as glândulas apócrinas, uma vez que o suor produzido por elas é rico em ureia. Os compostos expelidos são incolores e inodoros, mas ao entrarem em contato com o ar, com os agentes químicos dos desodorantes e com a microbiota da pele são degradados pelas bactérias, produzindo odor e cor”, explica Lícia D’Ávila, nutricionista pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul).

A produção e a eliminação de odores também podem se intensificar quando há um consumo grande de proteínas, como carnes, ovos e derivados de leite. Outros alimentos, por serem vasodilatadores, podem ainda aumentar a transpiração, como café, pimenta, chá verde e bebidas alcoólicas. Excesso de sódio, que não é bom em nenhuma dieta, nesse caso retém líquidos e contribui para a concentração dos compostos e um suor mais denso e gorduroso.

Além disso, são os hormônios sexuais os maiores responsáveis pela ativação e superprodução do suor apócrino, a partir da puberdade. “O aumento da testosterona na adolescência dos meninos promove o aparecimento do odor característico do suor masculino. É um mecanismo para atrair as fêmeas, por assim dizer”, acrescenta Mario Kedhi Carra, endocrinologista e presidente da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

E qual é a culpa do desodorante?

desodorante - iStock - iStock

Imagem: iStock

Mas não pense que a culpa pelas manchas é toda do organismo. Ao entrarem em contato com a pele, os sais de alumínio contidos nas fórmulas dos desodorantes antitranspirantes se diluem e viram um gel que forma uma película que controla a liberação do suor ao longo do dia.

“O alumínio tem uma ação mecânica de bloquear as glândulas e também reage com as proteínas do suor e as roupas que vestimos. Não há diferença se é spray ou rolon”, informa Juliana Toma, dermatologista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Após horas e horas em contato com a pele e a roupa e mesmo com a pessoa transpirando pouco, essa película de alumínio endurece e muda de aspecto, piorando as manchas, que são mais difíceis de serem removidas que as marcas naturais.

Para evitar o problema, as mangas de camisetas e blusas devem ser lavadas imediatamente ao se chegar em casa, ou podem ser usados desodorantes sem alumínio, mas que por outro lado não reduzem o suor excessivo. Em resumo: uma situação bem desafiante.

Condições raras de saúde também alteram cor

Agora, quando não se utiliza produtos antitranspirantes e, mesmo assim, as manchas teimam em aparecer e até em cores diferentes do amarelo é preciso se atentar e procurar um médico para que ele examine o suor e a roupa manchada e chegue a um diagnóstico.

Existem algumas condições raras que podem estar por trás disso, como a hematidrose, caracterizada pela presença de sangue no suor, que sai vermelho, ou a cromidrose, que é quando pigmentos ficam retidos nas glândulas sudoríparas e são transpirados em cores azul, verde e até preto.

Em geral, fenômenos como esses não são graves nem requerem tratamento. Porém, quando o problema está associado com fatores emocionais, fungos ou doenças, procedimentos clínicos ou a administração de medicamentos podem ser necessários.

Também se houver risco de contaminação pelas roupas, após o uso elas devem ser separadas e lavadas das demais. Aparar ou depilar os pelos facilita a higiene e pode reduzir os odores, mas não controla a transpiração.

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