“Cheguei aqui às 4h30, já são seis horas de fila e ainda não tive acesso ao ferry”, reclamou Rodivan Neves, 38, entre outros milhares de soteropolitanos que queriam aproveitar o feriado na sexta-feira, 15. Filas de pedestres ou veículos, além de contratempos como o não cumprimento de hora marcada e ausência de sanitário químico público, marcaram o feriado da Proclamação da República para quem aguardou para fazer a travessia no Terminal de São Joaquim rumo a Bom Despacho pelo sistema ferry-boat.

Por volta das 10h30, Rodivan ainda não havia conseguido o acesso ao ferry. Ele contou que pegou a fila nas proximidades do Hospital da Mulher, no Largo de Roma, em uma distância aproximada de 3 km do Terminal Marítimo de São Joaquim. “A gente tenta não pensar muito no atraso, para não se estressar e tornar a viagem cansativa, mas não tem jeito”, contou Rodivan. A estimativa da Internacional Travessias Salvador (ITS) era a de que o tempo para embarque girasse em torno de quatro horas – tempo médio para embarque medido na sexta-feira.

Alternativa para fugir das grandes filas à espera do ferry-boat, o serviço de hora marcada também foi alvo de reclamações dos usuários. Segundo Carlos Frederico, 41, o sistema vendeu mais passagens do que o ferry-boat comporta de horas marcadas, o que gerou um atraso. “Eles venderam mais passagens do que o ferry comporta, segundo uma funcionária me disse, fez um overbook de hora marcada. Você paga mais caro por um horário agendado e não consegue entrar no horário que comprou”.

Por meio da assessoria de imprensa, a ITS informou em nota que “com grande fluxo na via externa, alguns clientes não conseguiram acessar o terminal dentro do horário programado do serviço de hora marcada”. A nota também informa que “estes, serão identificados pelo Serviço de Atendimento ao Cliente da ITS para as devidas tratativas”.

Os pedestres que aguardavam para realizar a travessia até Bom Despacho, tiveram que aguardar cerca de duas a três horas, para conseguir embarcar, segundo estimativa da ITS. “Muito transtorno. A gente trabalha a semana inteira para pegar o feriado e procurar aproveitar, tenho um tempão nessa fila já, debaixo do sol quente. Infelizmente, é isso aí que a gente leva. Não podemos nem nos divertir, porque enfrentamos esses transtornos”, contou Walber Ramos, 42 anos, que esperou mais de duas horas para ter acesso ao ferry-boat.

Outra reclamação por parte dos usuários foi a falta de banheiros químicos para quem está esperando por horas na fila. Nascida e criada na feira de São Joaquim, Solange Maria, 61, ambulante, contou que esse é um problema antigo. “As pessoas procuram local para ir e não tem. Muitas vezes as pessoas pedem para ir na minha barraca, as mulheres usam até baldes. Os homens fazem xixi ai nas paredes. Sempre que tem essas filas, acontece isso. Podiam botar banheiros químicos nesse período”.

Litoral Norte

Outra alternativa de destino neste feriadão foi o Litoral Norte, via Estrada do Côco e a Linha Verde. Mas se enganou quem imaginou que seria uma viagem tranquila. Quem esperava pelas vans que fazem o percurso até a Linha Verde, e param defronte ao Centro Empresarial do Iguatemi, enfrentou longas filas, confusão e pessoas tentando furar essas filas. Com vans saindo a cada 30 minutos, alguns usuários esperaram até três horas para embarcar.

“Cheguei aqui 7 horas, já são 9h30 e a fila tá (sic) imensa, as vans estão saindo lotadas. A dificuldade tá grande, é muito difícil”, contou Miriam Lima, 60. Miriam alertou que o ideal era que o transporte para a Estrada do Côco e Linha Verde fosse intensificado nos feriados e datas comemorativas. “Viajo sempre para a Praia do Forte e é sempre assim. Tinha que ter mais alternativas”.

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