Por Vitor Castro

Após registro de boletim de ocorrência pela mãe das gêmeas Valentina e Verena, 3 anos – que, no último sábado, foram chamadas de “bucha 1 e bucha 2” na estação de metrô da Rodoviária por um segurança por conta do cabelo crespo– a Polícia Civil divulgou, por meio de nota, a abertura de inquérito sobre o caso.

O ocorrência foi registrada, na tarde desta terça-feira, 28, na Delegacia Especializada de Repressão a Crime Contra a Criança e o Adolescente (Dercca). “A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o crime de injúria racial contra duas crianças, na estação de metrô da Rodoviária em Salvador, no último sábado, 25. As vítimas e a mãe serão ouvidas na unidade”.

Já de acordo com a presidente da comissão de promoção a igualdade racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/BA), Dandara Pinho, que acompanhou a mãe das crianças na tarde de ontem, para registrar a ocorrência, o caso foi registrado como crime de racismo “depois de insistentemente o fato ocorrido ser explicado pela responsável das vítimas”, explicou Pinho.

Por nota, a CCR Metrô Bahia, esclareceu que repudia atitudes racistas ou discriminatórias, de qualquer natureza, e declarou ainda que “a opinião dos clientes é imprescindível para o aprimoramento de protocolos em busca da excelência do atendimento. Isso inclui a adequação dos treinamentos periódicos realizados junto aos agentes de atendimento, a fim de melhorar a prestação do serviço. A empresa ressalta ainda que tem trabalhado pela valorização da pluralidade cultural do povo baiano e reforça o seu compromisso com a promoção da igualdade étnico-racial e de gênero”.

De acordo com os dados do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, mantido pela Secretaria de promoção da igualdade (Sepromi), em 2019, foram registrados 90 casos de racismo. Este ano, até ontem, haviam sido registrados três casos.

À frente da Sepromi, Fabya Reis destacou a importância de se denunciar casos como estes e disse que a CCR- Metrô Bahia será notificada para que possa se manifestar sobre o caso e que o órgão irá acompanhar para saber as medidas adotadas pela empresa contra a prática do funcionário.

Inesperado

No último sábado, a representante de vendas Sandra Weyder, 37 anos, levou as filhas para um passeio no shopping. Segundo ela, as meninas se divertiram e, como de costume, foram abordadas várias vezes por populares que pediam para fazer fotos pela beleza e simpatia das gêmeas idênticas.

O que parecia ser um final de semana de curtição, resultou em uma situação constrangedora para mãe e para as crianças. “Entramos no metrô da rodoviária para voltar pra casa. Tinham três seguranças, dois negros de frente e um branco de costas para mim. Quando o branco virou e viu minhas filhas ele gritou ‘misericórdia, bucha 1 e bucha 2’, naquele momento não tive reação e continuei andando”.

A representante de vendas conta que só percebeu a agressão, quando as filhas questionaram. “Já no elevador, me perguntaram por que o segurança tinha chamado elas de bucha 1 e bucha 2. A mais espertinha disse ‘é por causa do nosso cabelo’. Vemos os casos na televisão, mas nunca achamos que pode acontecer com a gente”, contou Sandra.

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