Por Bruna Alves – Viva Bem

Sabe aquele mau cheiro que dá na região das axilas quando as pessoas suam muito, e não usam desodorante ou antitranspirante? Ou, às vezes, até usam, mas o suor acaba vencendo e o odor só sai após um banho? Pois bem, segundo um novo estudo realizado pela Universidade de York, no Reino Unido, e publicado na revista Scientific Reports, esse odor é provocado por uma enzima bacteriana específica.

Pesquisadores da universidade rastrearam a fonte do odor e chegaram até essa enzima denominada “BO”, em um determinado micróbio que vive na axila. “Descobrimos como o odor é produzido”, disse o professor Gavin Thomas, microbiologista e um dos autores do estudo, em entrevista ao jornal The Guardian. “O que realmente queremos entender agora é o por quê”, completa.

Como os cientistas chegaram a essa conclusão?

Anteriormente, os pesquisadores haviam descoberto que a maioria dos micróbios da pele não podem produzir tioálcoois (odores ofensivos) sozinhos, apenas quando se juntam a outros compostos que encontram na pele.

Dessa vez, para avaliar melhor uma bactéria específica que habita nas axilas, a Staphylococcus hominis, os cientistas a transferiram para outros micróbios na região, e observaram que ela também começou a emanar mau cheiro.

As bactérias produzem os fumos fétidos quando consomem um composto inodoro chamado Cys-Gly-3M3SH, que é liberado pelas glândulas sudoríparas na axila. As pessoas têm dois tipos de glândulas sudoríparas: as glândulas écrinas e as glândulas apócrinas.

As glândulas écrinas são um componente essencial do sistema de refrigeração do corpo. Por outro lado, as glândulas apócrinas abrem-se para os folículos capilares e estão em lugares específicos: axilas, mamilos e órgãos genitais. No entanto, o papel delas não é tão claro.

De acordo com o estudo, há uma enzima nessas bactérias que converte o Cys-Gly-3M3SH liberado pelas glândulas apócrinas no tioálcool pungente, 3M3SH. “As bactérias absorvem a molécula e comem parte dela, mas o restante cospe, e essa é uma das principais moléculas que reconhecemos como odor corporal”, explica o professor Thomas.

Tendo descoberto a “enzima BO”, os pesquisadores confirmaram seu papel transferindo-o para a bactéria Staphylococcus aureus, um parente comum que normalmente não tem papel no odor corporal. “Apenas movendo o gene, obtivemos o Staphylococcus aureus que causava odor corporal”, descreve Thomas. “Eles têm um cheiro de queijo e cebola muito característicos que você reconheceria”, afirma.

A pesquisa pode abrir caminho para a fabricação de desodorantes e antitranspirantes mais eficazes, que irão combater diretamente os micróbios mais ativos que produzem “BO”, e não os demais micróbios, teoricamente, menos ofensivos.

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