A secretária interina de Saúde, Tereza Paim, disse nesta quarta-feira (22) que uma possibilidade para o Carnaval do ano que vem é a exigência da apresentação do “passaporte de vacinação” nos portais de acesso aos circuitos da folia.

“O Carnaval na teoria é uma festa que teria tudo para dar errado, e ela é muito certa (…) A resposta é sim, o passaporte pode dar direito às pessoas de estarem um pouco mais livres”, disse ela, diante da sugestão do apresentador José Eduardo, na Rádio Metrópole. Tereza destacou que o Carnaval é trabalho importante para muita gente e vale o esforço para sua realização.

Além disso, a secretária também destacou que seria importante que a Anvisa exigisse o comprovante de vacinação em portos e aeroportos. “Se isso tudo acontecer, a gente vai conseguir proporcionar algo melhor para as pessoas”.

A secretária disse também que o estado trabalha agora para ter algum tipo de passaporte, além do aplicativo que é disponibilizado pelo SUS, onde cada um pode consultar seu status vacinal. “O MS tem o ConecteSUS, é um app, você que se vacinou pode baixar e tem o seu passaporte. Todas as pessoas têm que ter acesso. Aqui na Bahia, estamos promovendo com Turismo, Seplan, Educação e Saúde, no sentido de criar ou possibilitar algum tipo de passaporte”, disse.

Tereza lembrou que a exigência de vacinação é rotineira para várias situações, mesmo antes da covid. “Assim como a mãe usa a caderneta de vacinação para escola, Bolsa Família, para todas políticas de saúde, é a mesma coisa. Cada um de nós tem sua caderneta de vacinação. Para além disso, tem o passaporte sim e a gente vai criar aqui na Bahia algo que seja bem específico, para que as pessoas provem que foram vacinadas e aí elas vão diminuir possibilidade de passar a doença para outras pessoas”.

Número de casos estável é alerta
Na entrevista, a secretária disse que os indicadores de casos de covid-19 pararam de cair na Bahia, afirmando que isso serve de “sinal de alerta”. “Do dia 10 para cá só temos mantido número de taxa de casos ativos. São as pessoas que vêm adoencendo. A gente tira os óbitos e as curadas. A gente tem girado em torno de 2,3 mil casos todos os dias, isso não está mudando. Número de pacientes em UTI não tem variado muito, tem girado em torno de 240. É para chamar atenção, o vírus não passou de circular e temos mais uma variante, que se espalha muito rápido”, destacou.

Os caminhos para melhorar a situação da pandemia são a vacinação e o uso de máscara, reforçou. “As pessoas acima de 70 anos, os idosos, que têm imunidade menor, precisam tomar a terceira dose nesse momento. Pode ser que ao longo do tempo, a gente vá aprendendo mais coisas. A população tem que aprender que a ciência tem seu tempo, e nesse tempo aprendemos que vacina e método de barreira são essenciais. Enquanto o planeta não estiver vacinado, não estaremos livres dos vírus”, destaca.

A expectativa é até o fim de outubro ter vacinado a maior parte da poopulação adulta do estado completamente. “Mas lembrar que temos umas 600 mil pessoas que não foram tomar a 2ª dose ou não se vacinaram. A gente sabe que tem pessoas que se vacinaram em outros estados, países, mas esses dados são pegos de cada município para a gente entender quantas pessoas faltam. E essas pessoas que faltam se vacinar, mesmo que só a segunda dose, estão correndo risco de serem multiplicadores da doença”, disse Tereza, fazendo apelo para quem não se vacinou procure um posto de saúde.

Eventos e vacinação de crianças
A secretária falou da volta de eventos, que agora podem acontecer com até 1,1 mil pessoas. “Somos baianos, gostamos mesmo das festas, estamos sentindo falta disso”, disse. Ela diz que nesse momento ainda é preciso manter as restrições sanitárias.

“Nos eventos, se estivermos educados para esse novo modo de viver, com distanciamento, vacinada completamente, a gente pode retomar para a quase normalidade. Como abrimos lojas, shoppings, ruas, provocamos os restaurantes, estamos sobrevivendo, vamos dizer, com tudo isso e de forma bem planejada. A gente também quer que volte os eventos”, destacou. “Provavelmente a gente vai ter que manter todos os cuidados, até que a gente saia da pandemia. Isso não acontece só na Bahia, é no planeta inteiro. Aos poucos vamos sim, assistir um teatro, um cinema, show. Os artistas precisam retomar suas atividades”, reforçou.

A secretária falou da expectativa de poder vacinar crianças. Por enquanto, nenhum imunizante tem autorização para uso em público com menos de 12 anos no Brasil, embora a Pfizer/Biontech tenha anunciado essa semana que sua vacina gerou resposta imune também para crianças.

” A gente tem agora mais ou menos 73% dos adolescentes de 12 a 17 anos vacinados. A gente gostaria de entrar na outra etapa, que alguns países já entraram, de crianças de 3 a 11 anos, que possam também se vacinar, para a gente eliminar o vírus, ou poder conviver com ele com pessoas imunologicamente competentes. Aí sim tera possibilidade de inclusive ter a máscara suspensa. Ainda não é o momento”.

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