A Polícia Civil de Goiás desmontou, no último sábado, 27, um esquema de atendimento oftalmológico ilegal, com falso médico, em Uruaçu, a 278 quilômetros de Goiânia. Ele, a mãe e a irmã foram autuados por exercício ilegal da profissão durante ação filantrópica organizada por vereador de outra cidade e que entregou 80 receitas médicas para confecção de lentes a pessoas atendidas no dia.

Os nomes do vereador e das três pessoas autuadas na Operação Estamos de Olho não foram divulgados. Segundo a Polícia Civil, conforme prevê a legislação, elas tiveram que ser liberadas porque a pena para os crimes é inferior a dois anos. A investigação identificou que o falso oftalmologista foi contratado pelo parlamentar por um valor que também não foi informado.

O delegado Peterson Amim, responsável pela operação, disse que o falso médico tinha os equipamentos de consulta, mesmo sem a formação necessária e registro profissional. Depois de pegar a receita, acrescenta, a pessoa seguia para um local ao lado, onde a mãe e a irmã do suposto profissional doavam armações para quem comprasse as lentes com elas.

De acordo com a investigação, todo o esquema era organizado para que não houvesse qualquer tipo de suspeita. Os envolvidos adotavam, inclusive, as recomendações de autoridades sanitárias contra a pandemia da Covid-19. A irmã teria ido pela primeira vez para passar álcool em gel nas mãos das pessoas e aferir a temperatura delas.

De acordo com a polícia, a mãe e o falso médico foram encaminhados à delegacia, assim como um terceiro suspeito que intermediou as negociações bancadas pelo vereador. O delegado disse que a escola apenas cedeu o lugar, mas, conforme ressaltou, não tinha conhecimento da ilegalidade. O vereador deve ser ouvido nos próximos dias, na delegacia.

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