O corpo do garoto Marcos Vinícius de Carvalho Santos, de 2 anos, desaparecido desde sexta-feira passada, foi encontrado em um terreno baldio na alameda Afrânio Coutinho, no fundo do Hotel Quatro Rodas, na tarde de ontem quarta, 19, próximo às dunas de Itapuã.

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Foi o padrinho do menino, o cabeleireiro Rafael Pinheiro,  28 anos, quem levou os policiais até o local, após crianças do bairro localizarem o cadáver, por causa do forte odor de material em decomposição.

Rafael foi preso em flagrante, por volta das 15h30, pelo crime de ocultação de cadáver e, até o fechamento da reportagem, aguardava transferência na carceragem da 12ª Delegacia Territorial (12ª DT), em Itapuã.

Segundo o delegado titular da unidade, Antônio Carlos Magalhães Santos, o suspeito seria encaminhado nesta quinta, 20, para o Complexo Penitenciário da Mata Escura.

De acordo com o padrinho do menino, Marcos Vinícius teria passado mal e morrido após ingerir um copo de leite.

O garoto, além de ter um cisto no pâncreas e  diabetes,  também sofria de intolerância a lactose.

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“Desesperado”

Rafael disse, segundo os policiais, que, “desesperado” com a morte, teria colocado o corpo em uma caixa térmica (cooler) e  o abandonado no terreno baldio.

Depois disso, foi à feira de Itapuã, próximo à casa da mãe do garoto, onde inventou a história do desaparecimento, que sustentava desde a última sexta.

O cadáver de Marcos Vinícius foi encontrado coberto por um lençol, em estado avançado de decomposição, segundo o delegado Alex Gabriel, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que acompanha o caso.

Segundo a médica que participou da operação, não havia sinais de violência no corpo. Nesta quarta, o titular da 12ª DT não confirmava nem negava que Rafael tenha apresentado uma versão para a morte da criança.

Uma coletiva de imprensa está convocada pela Polícia Civil para as 10h desta quinta, para a divulgação dos detalhes do caso.

A mãe de Marcos Vinícius, Fabiana de Carvalho, 18 anos, também depôs na tarde desta quarta na 12ª DT e, segundo o delegado, foi liberada em seguida.

Fabiana, que é usuária de drogas, entregou o filho para Rafael criar há cerca de quatro meses, segundo a própria afirmou em depoimento dados anteriormente à polícia.

Por causa do achado do corpo e da presença de Rafael na 12ª DT, um grupo de aproximadamente 150 pessoas protestaram na frente da delegacia na noite desta quarta.

Aos gritos de “assassino!”, os moradores prometiam linchar o cabeleireiro. Por causa da comoção popular, a movimentação da Polícia Civil, que dava sinais de uma transferência ainda nesta quarta, foi cancelada – segundo Antônio Carlos Magalhães Santos, após determinação do secretário da Segurança Pública do estado, Maurício Teles Barbosa.

O protesto de moradores na porta da delegacia provocou engarrafamento na orla de Itapuã, sentido Piatã, no final da tarde.

A porta principal da unidade foi interditada e o acesso ficou restrito a uma entrada lateral. Por causa de uma possível tentativa de invasão, equipes da Polícia Militar foram enviadas para fazer a segurança do prédio.

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Relembre o caso

O garoto desapareceu na última sexta, 14. Segundo informações de Rafael, a criança estava com ele na Feira de Itapuã e teria se perdido. “Estávamos em uma barraca de verduras e eu soltei da mão dele por um minuto. Quando virei, ele tinha sumido. Procuramos na feira inteira, mas não achamos”, contou ele na época.

Marcos Vinícius sofria de diabetes, intolerância à lactose e possuía um cisto no pâncreas. Inicialmente, a polícia trabalhava com duas linhas de investigação, de que o garoto teria se perdido ao se separar do padrinho ou havia sido levado por outra pessoa.

No domingo, 16, cerca de 60 pessoas se mobilizaram em frente à Feira de Itapuã, na tentativa de chamar atenção para o caso.

Rafael Pinheiro havia conhecido a mãe de Vinícius, Fabiana de Carvalho, de 18 anos, apenas um mês antes da criança ir morar em sua casa, que aconteceu há quatro meses, segundo ele informou à delegada Eloisa Simões, do Departamento de Proteção à Pessoa (DPP). O pai do garoto mora no interior do estado.

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