Por: Rodrigo Daniel Silva

O senador Otto Alencar (PSD) disse, ontem, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aparelhou o governo com militares para se proteger. Reportagem da BBC Brasil apontou que o Brasil de Bolsonaro tem, proporcionalmente, mais militares como ministros do que a vizinha Venezuela, onde há muito tempo as Forças Armadas abdicaram da neutralidade e se tornaram fiadoras da permanência de Nicolás Maduro no poder.

“Ele (Bolsonaro) aparelhou o governo dele com militares da reserva e da ativa. Com isso, ele mostra uma conotação de que quer a proteção das Forças para fazer aquilo que ele deseja. Mesmo que seja uma coisa incorreta contra a sociedade”, avaliou Otto.

Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, essa presença expressiva de militares, especialmente da ativa, atuando dentro do governo, contribui para a ideologização de uma instituição que deveria ser neutra. “As evidências históricas nos mostram que a democracia tem uma sobrevida maior quando há um controle civil das Forças Armadas. Ainda que, por ora não se veja um movimento mais efetivo dos militares no sentido de gerar desgaste democrático, trata-se de uma mudança na correlação de forças que gera preocupação e, se não houver esse controle, certamente representa uma das fontes de risco para a democracia”, analisou à BBC News Brasil Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria Integrada.

O senador baiano criticou o presidente ainda por convocar apoiadores para uma manifestação contra o Congresso, que está prevista para acontecer no dia 15 de março. “Convocar manifestação pró ou a favor é natural. Não vejo dificuldade nenhuma disso. Os partidos podem convocar. É natural. O que não é correto é o presidente da República, com o poder que tem, que governa a nação e não é só para os seguidores dele, fazer a estimulação dessa convocação jogando para um confronto direto contra o Congresso Nacional”, ressaltou. “Essa fuga de capital da bolsa – tenho certeza – que não é só questão da globalização, da economia. É a estabilidade política promovida pelo Palácio do Planalto. Não se pode governar o país se fazendo apartheid. Não tem uma obra concluída. Qual a meta do governo para a infraestrutura? Para educação? Para a saúde? Absolutamente não tem. É muito grave. Temos um presidente muito aquém do que é o Brasil”, emendou.

Otto se mostrou contra um impeachment de Jair Bolsonaro, mas tem dito que torce para o presidente mudar o comportamento. “Não é sensato. Estamos numa democracia jovem. Em 30 anos de democracia, teve um presidente que renunciou, que foi o Collor, e depois o impeachment de Dilma. E teve dois ex-presidente presos Lula e Temer. (…)”, salientou.

PROPOSTA

O senador contou ainda que apresentou um projeto na Câmara Alta do Congresso Nacional para taxar lucros e dividendos. Ele criticou o monopólio dos bancos brasileiros. “Eu coloquei essa proposta para uma discussão. Não há como não taxar lucros e dividendos diante dos enormes lucros que tem os bancos. (…) O meu projeto exclui pequenas e micros empresas. Estamos falando das grandes empresas. Isso (de não taxar) acontece só no Brasil e na Estônia. Dois países do mundo que não cobram imposto sobre lucros e dividendos. Cinco bancos hoje mandam no dinheiro que circula no país, com juros altíssimo”, frisou.

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