Por Bruno Luiz

O senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou nesta quinta-feira, 21, que, ao contrário dos prognósticos correntes em Brasília de falta de apoio político e popular para o afastamento de Jair Bolsonaro, o processo de impeachment contra o presidente só não está em andamento porque o Congresso Nacional deixou de realizar sessões presenciais devido ao coronavírus.

“Se tivéssemos sessões presenciais, já tínhamos aberto a CPI do Moro na Câmara e já tinha impeachment andando. Não tem como ter reuniões neste momento do coronavírus, não tem como andar com isso, infelizmente”, afirmou o líder do PSD no Senado, em entrevista na live no Instagram do jornal A TARDE. Ainda segundo o parlamentar baiano, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não quis dar admissibilidade aos pedidos para não tirar os holofotes das ações de combate à pandemia.

Otto voltou a assegurar que o PSD, integrante do Centrão, não vai participar do acordo que o bloco tem selado com Bolsonaro – o Planalto negocia cargos e ministérios com os partidos em troca de apoio para evitar o impeachment do presidente.

“O PSD não está nessa conta, nem no Senado nem na Câmara. Não permiti que tivesse o acordo no PSD. Chamei o presidente Kassab e disse que não aceitava. Posso garantir que o PSD não vai ter ministério do governo Bolsonaro. Não vamos trocar nosso apoio no Senado e na Câmara por cargos”, garantiu.

Protagonismo

O senador afirmou também que o protagonismo das ações para mitigar os efeitos da pandemia tem sido apenas de estados e municípios. Para ele, a situação do Ministério de Saúde é de paralisia.

“Não tem titular [no ministério]. O interino não tem condição de atuar. Esse é o governo da cloroquina, a única coisa que ele tem para oferecer. Não tem outra articulação para resolver o problema. Espero que ele [Bolsonaro] se sensibilize com essa situação. O presidente devia respeitar as dores do povo brasileiro e as dificuldades na área de saúde do povo brasileiro”, criticou.

O senador também defendeu que o presidente não vete a possibilidade de aumento para servidores públicos no projeto de auxílio financeiro para estados e municípios. “Quem trabalha nos hospitais, nos ambulatórios, nas UTIs e podem se contaminar E ele não quer permitir que estados e municípios possam dar uma gratificação a esses profissionais?”, questionou.

Golpe?

Para o parlamentar, não há possibilidade de Bolsonaro dar um golpe contra a democracia brasileira. Otto avalia que as instituições do País estão sólidas.

“Ele [Bolsonaro] tem um espírito ditatorial, tem alma perversa. Mas não vai acontecer isso porque as instituições democráticas estão sólidas. É preciso que volte a estabilidade política para que a população acredite que a democracia é o melhor regime.”

Com informações do A Tarde

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