Por Samantha Cerquetani

Sentir dor ao se movimentar ou ao realizar atividades simples do dia a dia. Essa é a realidade de quem convive com a osteoartrite. O termo pode até causar estranheza, mas trata-se de uma doença articular degenerativa, ou seja, que afeta as articulações. Também é conhecida popularmente como artrose e causa dores ou rigidez em diversas articulações do corpo.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), estima-se que a doença atinja cerca de 9,6% dos homens e 18% das mulheres com mais de 60 anos. Além disso, 80% das pessoas com osteoartrite apresentam algum tipo de limitação de movimento.

“De acordo com estimativas, a osteoartrite chega a comprometer 240 milhões de pessoas no mundo. As articulações dos joelhos, quadris, mãos e coluna são as mais atingidas. Isso gera uma redução significativa na qualidade de vida”, destaca Bruna Savioli, reumatologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Esse problema de saúde se agrava com o tempo, ou seja, com o passar dos anos aumentam-se os desgastes nas articulações. Isso ocorre porque a cartilagem, um tipo de tecido emborrachado que reveste as extremidades ósseas, se desgasta fazendo com que os ossos entrem em atrito. E esse movimento pode causar inflamações locais e dores constantes.

“A idade ainda é o maior fator de risco para a osteoartrite. As mulheres são ainda mais afetadas porque aos 50 anos perde-se o efeito protetor do hormônio estrogênio após a menopausa”, explica Levi Jales Neto, reumatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Além disso, há outras situações que aumentam as probabilidades da doença. São elas:

  • Histórico familiar: se alguém da família tem osteoartrite, aumentam-se as chances de ter o problema de saúde;
  • Lesões: quem sofreu algum trauma que afete as cartilagens ou as articulações;
  • Movimentos repetitivos: a tensão frequente e repetitiva nas articulações gera um desgaste prematuro na cartilagem. Algumas pessoas se movimentam inadequadamente por muitas horas devido ao trabalho e isso compromete as articulações. Por isso, quem realiza trabalhos braçais, passa muito tempo ajoelhado ou agachado está mais propenso a ter osteoartrite;
  • Excesso de peso: pessoas obesas sobrecarregam mais as articulações, principalmente os joelhos e as costas. A obesidade aumenta a sobrecarga articular e produz fatores relacionados à inflamação causando dores;
  • Doenças congênitas: quem nasce com algum tipo de malformação que afeta as articulações pode desenvolver artrose;
  • Outras doenças: algumas condições de saúde como artrite reumatoide também aumentam os riscos.

Além da dor, quais são os outros sintomas?

A osteoartrite é uma condição progressiva e a intensidade dos sintomas varia de acordo com o estágio da doença. O sintoma mais frequente é a dor articular que piora com o movimento.

“Na maioria dos casos, a primeira queixa do paciente se refere a desconforto que vem evoluindo gradativamente e interfere nas atividades de vida diária. Com o tempo, a dor aumenta e surgem inchaços e inflamações”, explica Sergio Rocha Piedade, cirurgião ortopédico e professor livre docente da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Articulações do corpo humano - iStock - iStock

Imagem: iStock

Além disso, é comum surgir uma rigidez matinal e instabilidade articular, que podem causar quedas. Outro sintoma frequente é a diminuição da amplitude de movimento, ou seja, a rigidez dificulta a locomoção. Em casos mais graves, a pessoa apresenta algum tipo de deformidade óssea.

Uma pessoa com osteoartrite nos joelhos, por exemplo, comumente relata sentir uma dor mais intensa ao final do dia ou ainda desconforto para subir escadas, levantar-se da cadeira ou ao caminhar.

O mesmo pode acontecer em relação aos quadris e coluna. Já na osteoartrite de mãos aparece uma dor articular após trabalhos manuais e, por vezes, compromete a base do polegar. Também ocorrem estalos nos joelhos e quadris, em alguns casos.

Diagnóstico e mudanças na rotina

As características da dor são as principais formas de identificar a osteoartrite. “O diagnóstico é feito baseado na história clínica do paciente. Normalmente, ele relata dor local ou de movimento ou se está com dificuldade de andar. São realizados exames físicos e de imagens como raio-X e tomografia para comprovar a doença e o estágio da osteoartrite, que pode ser leve ou grave”, Thiago Bittar, reumatologista do Núcleo Avançado de Reumatologia do Hospital Sírio-Libanês.

Em seguida, são definidas as medidas terapêuticas que visam diminuir a dor e aumentar a capacidade de realizar as atividades. O tratamento da osteoartrite varia, mas geralmente indicam-se medicamentos para dor, como analgésicos e anti-inflamatórios. Pode ser recomendada fisioterapia para correção de déficits de alongamento, desequilíbrios musculares e outras alternativas como acupuntura.

Mas o que realmente faz a diferença é a mudança de hábitos. “Recomenda-se a perda de aproximadamente 10% do peso em indivíduos com sobrepeso e obesos e exercícios físicos para fortalecimento da musculatura que envolve a articulação comprometida”, diz Savioli. É importante escolher atividades de baixo impacto, como caminhar ou nadar, sempre com a orientação de um profissional.

De acordo com Piedade, para evitar esse problema é importante ter uma rotina saudável durante toda a vida. “O envelhecimento é um processo fisiológico que gera diversos desafios que interferem na qualidade de vida das pessoas. Os ossos e os músculos precisam de estímulo para se fortalecer e potencializar o equilíbrio muscular, articular e postural. Por isso, para prevenir a doença é necessário praticar exercícios físicos e ter bons hábitos alimentares para evitar a obesidade”, completa.

E quando precisa de procedimentos cirúrgicos?

Em alguns casos mais graves, os especialistas indicam procedimentos cirúrgicos para aliviar a dor e melhorar a mobilidade. É o caso das infiltrações intra-articulares, ou seja, quando são aplicados medicamentos por meio de injeções entre as articulações comprometidas.

Outra técnica cirúrgica mais invasiva é colocação de prótese articular total. Nesses casos, ocorre a substituição da articulação danificada pela osteoartrite. É um procedimento mais comum em joelhos e no quadril.

“Indica-se cirurgia quando a dor é incapacitante, perde-se a função ou os medicamentos não estão fazendo efeito. É uma cirurgia tecnicamente bem avançada e segura, mas deve ser feita levando-se em conta todos os fatores de riscos individuais na avaliação pré-operatória”, destaca Jales Neto.

É o que está vivendo no momento o analista de sistemas João Carlos Benvegnu. Com 59 anos, o gaúcho relata que convive com a dor no quadril esquerdo há mais de uma década por causa da osteoartrite.

“Sempre fui muito ativo e comecei a sentir dores no quadril que não me deixavam dormir. Recebi o diagnóstico, fiz o tratamento com diversos medicamentos e iniciei a musculação para melhorar a qualidade de vida”, afirma.

Mas a doença progrediu rapidamente e hoje ele não consegue mais fazer uma caminhada simples de 1 km. “Por isso, a alternativa agora é colocar uma prótese para não ter mais dor. A cirurgia está prevista para acontecer após a pandemia”, finaliza.

Veja abaixo, a postura correta para tarefas domésticas.

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